Coreia do Sul retira embaixador em Kyiv após tensões diplomáticas
A Coreia do Sul anunciou a retirada do seu embaixador em Kyiv em resposta às tensões entre os países, devido à quebra da confidencialidade em torno de uma transferência de prisioneiros norte-coreanos para Seul.
“O governo decidiu retirar o seu embaixador da Ucrânia.
O governo espera que todos os litígios existentes entre os dois países sejam resolvidos de forma amigável e continuará as consultas com a parte ucraniana para esse efeito”, afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros sul-coreano num comunicado.
Kyiv reagiu através de um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros ucraniano, que em declarações aos jornalistas defendeu que a “diplomacia deve prevalecer sobre a emoção”, acrescentando que ainda acredita num “diálogo construtivo” com Seul.
Em causa está o discurso na 81.ª Assembleia Geral da ONU do Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, em que referiu que Kyiv iria transferir para Seul soldados norte-coreanos capturados pelo exército ucraniano.
As autoridades sul-coreanas pretendiam manter o sigilo em torno deste caso, devido às tensões com a Coreia do Norte e o Presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, exigiu desculpas oficiais, temendo que esta divulgação pusesse em perigo as famílias dos prisioneiros de guerra.
O ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andrii Sybiha, referiu que o incidente constituía um “mal-entendido diplomático”.
Desde o início da guerra na Ucrânia, a Coreia do Norte tornou-se um aliado fundamental do Kremlin, enviando soldados para apoiar o esforço de guerra de Moscovo em troca de vantagens económicas e de tecnologias militares.
Em simultâneo, o jornal The Guardian noticiou que a Coreia do Sul enviou à volta de 176.000 toneladas de hidrocarbonetos, sobretudo gasóleo, para a Rússia entre julho e agosto.
Kyiv condenou este envio, embora a Coreia do Sul tenha defendido hoje que as entregas de gasóleo a Moscovo não estão sujeitas a controlos à exportação.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros sul-coreano indicou hoje que o gasóleo, mesmo que proviesse da Coreia do Sul, não violaria as proibições de exportação.
“Os produtos petrolíferos refinados, incluindo o gasóleo comercial e o combustível para aviação, mencionados no artigo do Guardian, não estão sujeitos aos controlos à exportação da Coreia do Sul contra a Rússia”, sublinhou o ministério sul-coreano, sublinhando que as exportações globais para Moscovo caíram para menos de metade desde o início da invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022.
“Não foi comprovado que combustíveis de origem sul-coreana, nomeadamente gasóleo, tenham sido exportados para a Rússia”, acrescentou.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em jornaleconomico.sapo.pt — o conteúdo pertence a Jornal Económico.