"Não se sabe nada. Há pessoas dependentes da toma diária de medicação". Voo cancelado deixa 130 portugueses retidos em Cabo Verde
"A partir de dia 28 não sabemos o que vai acontecer." É esta a principal preocupação de Jerónimo Velasco, um dos cerca de 130 portugueses retidos em Cabo Verde, depois de o voo de regresso a Portugal ter sido cancelado.
O grupo, que tinha comprado pacotes de viagem de uma semana, continua sem uma solução clara para regressar ao país. Segundo Jerónimo Velasco, também não recebeu, até ao momento, uma explicação oficial sobre as razões do cancelamento. "Não se sabe nada. Após o cancelamento do voo não nos foi dito nada", conta à CNN Portugal.
O passageiro diz que a falta de informação se prolongou por várias horas e que algum feedback só começou a surgir depois de o caso ter sido divulgado pela comunicação social em Portugal.
"Até aí não tivemos comunicação absolutamente nenhuma nem da parte do operador, nem da parte da companhia aérea, nem da parte das agências", afirma.
A incerteza ganha uma dimensão particularmente preocupante para alguns dos passageiros que estão na ilha. Jerónimo Velasco chama a atenção para pessoas que dependem de medicação diária.
"Há aqui pessoas que estão dependentes da toma diária de medicação de diabetes, de tensão arterial e que não sabem o que é que vai acontecer", relata.
O problema, explica, é agravado pelas limitações da própria ilha. "De facto, isto pode ser visto como um paraíso mas tem as suas limitações, desde logo, em termos de aeroporto e de voos disponíveis."
Entretanto, os passageiros receberam informações contraditórias sobre uma possível solução. Segundo Jerónimo, circulam mensagens alegadamente enviadas pelo operador turístico que apontam para um voo na manhã de 1 de setembro.
No entanto, o passageiro sublinha que essa informação não foi transmitida de forma oficial e que, por isso, o grupo continua sem garantias.
"Estaremos aqui mais cinco ou seis dias nesta incerteza, sem saber de facto o que é que vai acontecer", afirma.
A situação torna-se mais complicada devido ao alojamento. Os turistas têm, pelo menos em alguns casos, alojamento assegurado apenas até dia 28. Depois dessa data, não sabem onde vão ficar.
"Foi-nos disponibilizada estadia até dia 28, levando a crer que a viagem aconteceria dia 28 numa primeira fase, mas isso não se vai verificar", explica Jerónimo. "A EasyJet ainda há pouco tempo mandou um e-mail a uma das pessoas que aqui está, dizendo-lhe que não há voos no dia 1 e sugerindo que tratem as próprias pessoas dos voos".
Agora, diz, as informações dadas pelas diferentes agências não coincidem. Algumas terão indicado que os próprios passageiros terão de tratar do alojamento, enquanto outras garantem aos clientes que vão resolver a situação.
"Isto literalmente é, como se costuma dizer, um jogo do empurra", descreve. "O que nós esperávamos era que da parte a quem comprámos as viagens tivéssemos efetivamente algum apoio e esse apoio pura e simplesmente falhou".
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.