Petrolíferas terão obtido 7,5 mil milhões de euros em lucros extraordinários na UE
Os resultados das oito empresas petrolíferas analisadas dispararam no segundo trimestre, num período marcado pela turbulência dos mercados energéticos provocada pelo conflito no Médio Oriente.
A Transport & Environment (T&E) estima que o grupo tenha obtido 7,5 mil milhões de euros acima dos lucros registados no período homólogo na União Europeia durante a primeira metade do ano e defende que Bruxelas deve avançar com uma tributação permanente sobre estes ganhos.
A estimativa, divulgada esta segunda-feira, 17 de agosto, pela organização ambiental, abrange a BP, Shell, Eni, Orlen, Repsol, OMV, TotalEnergies e Moeve.
Em conjunto, estas empresas terão gerado 1,6 mil milhões de euros de lucros considerados extraordinários no mercado europeu entre janeiro e março.
Entre abril e junho, o valor cresceu para 5,9 mil milhões de euros.
A T&E chega a estes valores através da comparação dos lucros ajustados depois de impostos de cada trimestre de 2026 com os resultados obtidos pelas mesmas empresas nos trimestres correspondentes de 2025.
O objetivo é medir o ganho adicional face ao ano anterior, eliminando o efeito da sazonalidade.
A nível mundial, o mesmo grupo de empresas terá acumulado 17,9 mil milhões de euros de lucros excedentários nos dois primeiros trimestres do ano.
A organização estima que a União Europeia seja responsável por cerca de 42% desse montante.
A Polónia lidera a estimativa por país, seguindo-se Espanha, Alemanha e França.
A T&E sublinha, contudo, que não recorre ao país onde as empresas registam formalmente os lucros para determinar a parcela europeia.
Em vez disso, utiliza a distribuição geográfica das receitas divulgada pelas próprias companhias e aplica essas proporções aos resultados de 2026.
Esta opção é relevante porque os grandes grupos petrolíferos operam em dezenas de jurisdições e podem repartir os seus resultados por diferentes países.
A organização reconhece ainda que os dados disponíveis são anteriores ao conflito: as percentagens utilizadas têm por base as informações mais recentes de reporte por país, referentes a 2024 e 2025.
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