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O xerife que pode ter a bala de prata da direita para Belém

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O xerife que pode ter a bala de prata da direita para Belém

António José Seguro venceu de forma tão clara na segunda volta que, logo na noite eleitoral, houve quem antecipasse que o novo Presidente estava na prática a conquistar uma estadia de 10 anos em Belém. O próprio, cauteloso e institucionalista, fala sempre em cinco anos de mandato. Alguns dos seus mais próximos conselheiros garantem, aliás, que o chefe de Estado não dá como adquirido que ficará uma década em Belém — até porque considera o contexto, de maioria de direita, desfavorável a uma reeleição tranquila.

A grande dúvida é: quem teria notoriedade e seria suficientemente agregador, à direita, para poder desafiar um Presidente em funções? Apesar de faltarem quatro anos e meio, nas hostes laranjas já circula um potencial candidato à boca pequena: o presidente da câmara de Lisboa, Carlos Moedas. A hipótese é certamente extemporânea (menos, claro, no plano da análise política), mas pode não ser totalmente descabida. Alguns astros podem alinhar-se nesse sentido.

Desde logo, o calendário não é desfavorável. O presidente da câmara de Lisboa prometeu no último Congresso do PSD, em junho, em Anadia, que iria conseguir obter a maioria em Lisboa em 2029, anunciando de forma velada a recandidatura para um terceiro e último mandato. Caso seja reeleito no final do verão/outono de 2029, Moedas poderia sair um ano depois para se candidatar a Belém. Não o faria sem críticas da oposição — de abandono, falta de respeito pelo eleitorado, entre outros mimos — mas até estaria a prestar um serviço ao partido dando tempo a um sucessor para se afirmar (como Costa fez com Fernando Medina).

O histórico da política nacional também diz que um presidente da câmara de Lisboa, quase só pela circunstância de ter ocupado o cargo, se torna presidenciável. O exemplo mais claro disso é Jorge Sampaio que saiu a meio do segundo mandato para se dedicar à campanha presidencial e foi eleito Presidente da República. Esse foi um caso de sucesso eleitoral, mas houve outros potenciais candidatos. Pedro Santana Lopes dois anos e três meses depois de ser eleito presidente da câmara de Lisboa chegou mesmo a dizer numa entrevista ao Expresso, em fevereiro de 2004: “Se for candidato às presidenciais [de 2006] julgo que as ganho”. A partir daí apareceu em diversas sondagens para Belém.

António Costa, depois de ser presidente da câmara de Lisboa, também foi muitas vezes apontado à chefia do Estado. Quando tentava a fuga inopinada no terceiro mandato, em vésperas das fraticidas primárias socialistas em Lisboa, o então todo-poderoso Jorge Coelho chegou a dizer que o autarca deveria ir para Belém: “Um [António José Seguro] ia para primeiro-ministro e o outro [António Costa] para a Presidência da República, evidentemente, pelas características que tem, não o estou a ver a ficar na Câmara de Lisboa.” Em abril de 2024, Costa foi até apontado como favorito em sondagens presidenciais — cargo que sempre achou demasiado aborrecido para ocupar.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.

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