Lamina bem afiada
Caro P.
Não acredito em almoços ou jantares em esplanadas no meio da cidade.
Não sei o que pensas, mas, no meu caso, sinto-me observado por quem passa, desconfortável com a mesa exígua onde mal cabem dois pratos, e irritado com a falta de aderência dos pés da mesa à calçada lisboeta, invariavelmente desnivelada.
Ponto prévio feito: não gosto, nunca gostei, de esplanadas.
Sucede que o nosso almoço, no Lamina, primeiro repasto desta aventura de dois ignorantes assumidos e descontraídos nas lides da alta, média e baixa cozinha, foi trasladado para a esplanada por uma inconveniente avaria no ar condicionado na sala de refeições.
Há dias em que não se deve sair à rua e, sobretudo, comer na rua.
Para começo de conversa, tenho, contudo, que confessar que a leitura da ementa foi redentora, desfazendo por completo a minha primeira impressão.
E reconheço, ainda, que a orelha crocante e a língua fumada, melhoraram substancialmente o meu estado de espírito.
De facto, o universo é um muito competente equilibrador de expectativas.
Caro M.
Há muito que considero que o outdoor está overrated , pelo que tendo a alinhar com a tua embirração.
Importa referir que o Lamina (sem acento circunflexo e que é, intencionalmente, o anagrama perfeito de “animal”), situa-se na Duque de Ávila, abriu as portas ao público em Abril e foi reservado via The Fork .
Não é preciso ter visto o “The Bear” (Disney Plus, 5 temporadas) para intuir que um incidente (ou acidente?) que obrigue a deslocar todos os clientes da sala (de uma decoração bem conseguida e sem devaneios) para a esplanada (sem originalidade e marcada por uma proximidade exagerada das mesas), introduz, certamente, um certo grau de pressão sobre quem está na cozinha.
E sobre quem está a servir.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em eco.sapo.pt — o conteúdo pertence a ECO.