A autoridade que não se vê
Esta semana, nas comemorações dos 135 anos da Polícia Municipal, Carlos Moedas declarou-se “satisfeito”.
O ministro da Administração Interna acabara de garantir que a PSP reforçará Lisboa, “em princípio”, até ao final do ano.
Vale a pena recordar a epopeia.
A 12 de maio, Luís Montenegro prometeu 200 agentes da PSP e 100 polícias municipais para a capital.
Em agosto, Moedas queixava-se de não ter recebido um único.
O gabinete do ministro desmentiu-o publicamente, assegurando que o reforço “já está no terreno”.
Um mês volvido, o mesmo ministro promete o mesmo reforço para o final do ano, e Moedas dá-se por contente.
Entre a exigência e o conformismo não aconteceu nada.
Nem agentes, nem explicação.
Não é um caso isolado.
Carlos Moedas é mesmo assim.
Na Assembleia Municipal de 15 de setembro, pediu ao Governo o cancelamento imediato do sistema Volta, que classificou como “um drama social sem precedentes”.
A resposta chegou no dia seguinte, em duas linhas: a ministra do Ambiente recusou, invocou obrigações europeias e declarou o sistema um sucesso.
Na mesma sessão, o presidente da Câmara qualificou a descentralização da educação de “erro brutal”, jurou que nunca aceitará a da Saúde e acusou os municípios de serem “tarefeiros dos governos”.
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