Robbie "fucking amazing" Williams: ABC do entretenimento
Há quem nasça com star quality e há quem passe a vida a fazer piruetas sem nunca conseguir chegar perto daquele magnetismo natural que os grandes performers têm em si. Robert sabia desde miúdo que ia ser uma estrela, qual Paul Gascoigne, contrariando as probabilidades de alguém que nasceu no “cu do mundo”, como o próprio se referiu a Stoke-on-Trent, na biopic “Better Man” (2024).
Foi isso que ele veio dizer ao MEO Kalorama, de forma mais ou menos literal. “Let Me Entertain You” abriu a atuação com tom épico de grand finale. Robbie Williams, integralmente vestido de vermelho por esta altura – viria a mudar para rosa choque mais à frente –, estava por todo o lado: a saltar no palco, na língua montada no meio da plateia e até nos ecrãs de fundo, que se fartaram de passar imagens antigas suas.
“Será que ainda tenho isto em mim ou será que sou apenas um dançarino gordo?”, lançou em jeito retórico depois de “Let Love Be Your Energy”, na qual explicou que o espetáculo que ali trouxera – apesar de ter estado doente a semana toda – era uma “carta de amor ao entretenimento”. “Vou atuar mesmo que caia redondo no chão”.
Ele, mostrando os bíceps, tríceps e até o rabo de que tanto se orgulha – calma, que desta vez não baixou as calças – não caiu para o lado, nem em “Rock Dj”, nem em “Millenium”, nem em “Pretty Face”, a única passagem pelo seu mais recente álbum lançado este ano, Britpop . Mas houve muitos suspiros femininos entre a plateia e, houvesse menos pudor, também os homens teriam suspirado. Isabel, aniversariante que veio do Porto e se colou às grades para o ver, levou o brinde da noite: um abraço de Robbie, parabéns entoados por um Parque da Bela Vista cheio (a única enchente da noite, diga-se) e uma sonata olhos nos olhos de “She’s the One”.
Qualquer pretexto serviu ao músico de 52 anos para interagir com o público, fosse para lançar versos de Supreme, Sexed Up e Candy, que foram usados como barómetro do grau de fanatismo de quem ali estava; fosse para sacar de uma banana a meio do concerto, antes de cantar ao piano “My Way”, enchendo as suas reservas de potássio para o que ainda haveria de vir – “é o que dá chegar à meia-idade”, brincou.
Neste cabaret “de classe mundial” (alerta novamente citação “Better Man”) não faltou humor, nem bocas. Os Take That, a boys band da qual saiu amuado, e em especial Gary Barlow, foram o seu alvo predilecto, quiçá para manter a fachada de bad boy que o acompanhou durante os anos 90 e para servir de pretexto para interpretar “Relight My Fire”. Houve desabafos emotivos também, com declarações de amor à mulher Ayda Field e aos seus quatro filhos, que culminaram em “Love My Life”, ao pai Peter Williams, a quem dedicou “My Way”, e a Dolly Parton, aquela que, apesar da fama, “era amada por todos”.
“9 to 5” e “Jolene” foram parafraseadas a meio de um medley de apresentação da banda, no qual se ouviram excertos de “Personal Jesus” e J”ust can’t get Enough” dos Depeche Mode, “Y.M.C.A”. dos Village People, “Hey Jude” dos Beatles e “We Will Rock You” dos Queen.
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