Juntar as peças do Lego
Em setembro, Lisboa acolheu o Business of Impact , o encontro da Impact Europe – rede europeia de fundações, empresas, investidores e bancos que financiam soluções com impactos sociais ou ambientais.
Durante dois dias, a conversa concentrou-se em questões de construção: quem assume o primeiro risco, como se juntam projetos pequenos para interessar investidores grandes, que regras permitem a várias fundações decidir em conjunto, o que resta de um projeto quando o financiamento acaba? O contexto ajuda a ler esta agenda.
Em 2024, os investidores europeus e britânicos detinham cerca de 190 mil milhões de euros em investimento de impacto em ativos não cotados .
É mais do dobro do que tinham dois anos antes e, ainda assim, apenas 2,5% do universo de ativos que o estudo de referência considera elegível.
As fundações europeias gerem perto de 650 mil milhões de euros em património.
Há capital disponível, e a sua eficácia depende da estrutura que o liga aos problemas que pretende resolver.
Dessa discussão emergem cinco tendências que cruzam atores privados e políticas públicas.
A primeira é a repartição do risco em camadas.
Fundações e investidores públicos aceitam perder primeiro – ou garantem parte do investimento – para que seguradoras, bancos e fundos de pensões entrem em projetos que de outra forma não financiariam.
O dinheiro filantrópico é cada vez mais usado para atrair outro capital.
A segunda decorre da primeira.
A maior parte das iniciativas sociais é pequena demais para os montantes mínimos com que operam os grandes investidores, e ganham peso as estruturas que agregam projetos e fazem a ponte entre quem executa e quem financia.
A terceira diz respeito à colaboração entre financiadores, amplamente defendida e difícil de praticar, porque as organizações estão desenhadas para decidir sozinhas, com orçamentos anuais integralmente comprometidos, concursos fechados, mandatos curtos, mudanças frequentes nos órgãos de gestão.
As parcerias que ganham escala dotam-se de regras próprias, com compromissos plurianuais, decisões partilhadas e um esforço proporcional à capacidade de cada parceiro.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.