Liceu Francês de Lisboa fecha portas perante protestos em França. O que une os alunos de Lisboa aos que protestam em França?
Enquanto em França os protestos estudantis nasceram de problemas concretos nas escolas, desde a falta de professores às condições dos edifícios e ao financiamento do ensino, a mobilização começou a atravessar fronteiras.
Em Lisboa, o Liceu Francês decidiu fechar temporariamente as portas para evitar possíveis manifestações de alunos em solidariedade com os estudantes franceses.
“De forma a garantir a segurança de todos, foi decidido, em articulação com a Embaixada de França em Portugal, adiar o início das aulas de quinta-feira para todos os alunos do estabelecimento”, afirmou a instituição num comunicado divulgado hoje pela SIC Notícias .
Para Hermano Sanches Ruivo, jurista e antigo vereador em Paris, a explicação está sobretudo na solidariedade.
“É mais uma espécie de solidariedade”, considera, lembrando que outros liceus franceses fora de França também já manifestaram apoio aos estudantes, através de slogans ou de mensagens nas redes sociais.
No caso de Lisboa, essa solidariedade poderá ter também uma dimensão particular.
Apesar de o Liceu Francês ser um dos colégios privados mais privilegiados de Lisboa e ter uma realidade diferente da generalidade das escolas francesas, continua ligado ao sistema educativo francês e depende do Ministério da Educação francês.
Por isso, diz Hermano Sanches Ruivo, também poderá sentir semelhanças, nomeadamente ao nível da substituição de professores.
A ligação à realidade francesa passa ainda pelas próprias famílias.
“Há mais franceses agora também a viver em Portugal” e muitos dos alunos terão contacto próximo com familiares ou comunidades que acompanham diretamente o que acontece em França.
Para o jurista, isso ajuda a explicar a identificação dos estudantes de Lisboa com uma mobilização que começou a centenas de quilómetros de distância.
A decisão de fechar as portas terá, por outro lado, uma natureza diferente.
Se a mobilização dos alunos pode ser entendida como solidariedade, a decisão da direção será sobretudo administrativa: evitar desacatos e reduzir riscos.
“Não querem estar a correr riscos”, resume Hermano Sanches Ruivo como a lógica que poderá estar por trás da decisão.
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