Vítimas pedem a PR que force Igreja a reabrir compensações
A Associação Coração Silenciado, que representa várias dezenas de vítimas de abusos sexuais de menores na Igreja Católica, foi esta sexta-feira recebida pelo Presidente da República, António José Seguro, a quem entregou um pedido de “reabertura e revisão” do processo de compensações financeiras levado a cabo pela Igreja, que classificam como um “segundo calvário” suportado pelas vítimas.
A delegação da associação entregou a Seguro um documento de dez páginas em que descreve detalhadamente o processo protagonizado pela Igreja Católica ao longo dos últimos anos, desde a criação da comissão independente, em 2021, até ao controverso encerramento do processo de compensações, já este ano. A esse documento juntam-se vários anexos, incluindo documentos relativos aos casos de várias das vítimas que integram a associação e ainda o polémico “termo de recebimento” que as vítimas tiveram de assinar como condição para receberem o valor que lhes foi atribuído.
Além das duras críticas ao modo como a Igreja geriu o processo, a associação de vítimas aponta também o dedo ao Estado. “A omissão das instâncias do Estado em todo este processo é também motivo do nosso descontentamento”, lê-se no documento, partilhado com o Observador pelo porta-voz da associação, António Grosso. “Esperar-se-ia uma postura activa na defesa dos direitos e da dignidade das vítimas. As instâncias do Estado terão essa responsabilidade! Porque não estamos perante um crime comum, nem perante criminosos vulgares. Não! São crimes e agressores que foram sistematicamente encobertos pela instituição a que pertencem.”
Vítima de abusos queixa-se de entrevista “invasiva e mórbida”. Rute Agulhas diz que detalhes são necessários para definir compensação
“Enquanto isso, as vítimas debatiam-se em silêncio, sem maturidade para processar o pensamento sobre o ocorrido, consumidas por um sentimento de vergonha e por uma culpa inerente. Fomos as crianças que, algures no tempo, o Estado não protegeu e que a Igreja instrumentalizou”, diz ainda o texto das vítimas. “Para muitas vítimas de abuso sexual na Igreja Católica, o sofrimento não terminou quando os abusos cessaram. Terminou a violência física, mas não terminou a violência psicológica.”
O documento entregue a António José Seguro termina com uma reivindicação: as vítimas querem que o Presidente da República trabalhe no sentido de garantir a “reabertura e revisão de todo este processo”. Para a Associação Coração Silenciado, essa é uma forma de contrariar “conscientemente” as palavras do atual presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, o bispo Virgílio Antunes, que disse esperar que a forma como a Igreja Católica lidou com os abusos seja um exemplo a seguir pela sociedade.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.