CEO de clínica de fertilidade falida: “Sei que me acham um monstro horrível”
Aquela que até há dias, aos 29 anos, era, como CEO da Ovom Care, internacionalmente festejada, com direito a entrevista na revista Forbes , como uma das mais jovens revelações das empresas tecnológicas da saúde , está, garante, “de coração partido” com a insolvência da empresa, e “lamenta muito muito” o que aconteceu.
“Tenho de começar por dizer isto, porque está a comer-me viva.
Estou devastada pelo stress, pela dor, por tudo o que a situação causou às pacientes.” Quando o DN lhe recorda que as mulheres e casais que acreditaram nela e na empresa que ela representava não são ricos e poderão não ter dinheiro para pagar outra vez os tratamentos que já tinham pagado — e mesmo que tenham, não é justo que sejam obrigados a fazê-lo —, repete “Eu sei, eu sei”, e parece começar a chorar.
“Devem pensar que sou um monstro horrível.” Afirmando-se “muito limitada” quanto ao que pode dizer nesta que é a primeira entrevista que dá após o Tribunal Judicial de Lisboa Oeste ter, a 25 de agosto, decretado a insolvência da clínica de fertilidade Ovom Care, sita em Cascais , e de as respetivas pacientes (ao todo cerca de 200) serem apenas três dias depois, numa sexta-feira à tarde, informadas desse facto, Felicia von Reden garante que quando o processo de insolvência da empresa mãe da clínica portuguesa — a Ovom Care alemã, que também abriu falência — chegar ao fim, ficará desempregada.
E que neste momento, apesar de continuar, na sua página de Linkedin, a identificar-se como CEO da Ovom Care (e como jovem esperança da Forbes ) já não tem qualquer poder na empresa: “Quem decide tudo são os administradores da insolvência”.
Também não teve, assevera, escolha quanto ao pedido de insolvência: “Estávamos à espera de um financiamento que não chegou e a equipa legal disse que tínhamos de abrir falência.” Clínica de fertilidade em Cascais abre falência.
Pacientes em desespero Que financiamento era esse que devia chegar, e de onde, decidido por quem, é uma das muitas coisas que Felicia não diz, como não explica como é que os 4,8 milhões de euros que em 2025 a empresa alemã se gabava de ter angariado para desenvolver o seu muito badalado projeto de Inteligência Artificial aplicada à procriação medicamente assistida (PMA) , projeto esse que a valorizava em 22 milhões de euros, se gastaram tão depressa.
Sobretudo tendo em conta que as clínicas de PMA são em princípio um negócio viável (nunca houve uma insolvência de uma destas clínicas em Portugal, e em termos internacionais é também muito raro, embora não inédito), e a Ovom Care Portugal tinha clientes.
“Esse dinheiro não era apenas para fundar e fazer funcionar uma clínica ”, responde a empresária.
“A Ovom Care é sobretudo uma empresa tecnológica.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.