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Passos, ou a arte de governar nas costas do povo

Diário de Notícias ·

Um dos grandes mistérios da política nacional é o de haver quem considere Pedro Passos Coelho uma espécie de reserva moral da nação.

Em consonância, o ex-primeiro-ministro adotou nos últimos anos um look monástico, ascético até, assumindo sem peias a pose grave de suprassumo da moralidade, apesar de, no seu comportamento, evidenciar uma indisfarçada ambição de mandar às couves o atual presidente do seu partido, o mesmo que nos tempos do seu governo lhe foi, como líder do grupo parlamentar do PSD, mui fiel escudeiro.

É uma bela história de traição, mesmo se sem alturas de Shakespeare, esta a que estamos a assistir, e que teve na entrevista que Passos deu este domingo a Maria João Avillez na SIC-N o seu mais recente e retumbante episódio.

Aliás, Avillez fez questão de lembrar a Passos o quão valioso lhe foi Montenegro no parlamento, e Passos admitiu, citando a então presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, que lhe teria feito notar isso mesmo.

Mas isso agora não interessa nada, porque agora Montenegro está no lugar a que Passos se considera predestinado — por um acaso deveras imprevisto, o governo do PS caiu ao fim de menos de dois anos de maioria absoluta e quem estava à frente do PSD era o líder que era suposto ser para “queimar”.

E esse líder, imagine-se, foi a votos e ganhou — com maioria relativa, mas ganhou.

Ora se Montenegro ganhou e Passos, que se guardava para regressar depois do período de queimanço, ficou apeado, é necessário agora ligar o lança-chamas.

Assim, ouvimos do ex-presidente do partido a certificação de que o PSD “se deixou cair numa armadilha” porque Montenegro deveria, logo em 2024, face à reorganização política do parlamento, que passou de uma clara maioria de esquerda para uma clara maioria de direita, ter-se entendido com o Chega e a Iniciativa Liberal.

Oiçamos Passos: “As pessoas não vão compreender que tendo colocado a sua escolha, o seu voto, em partidos que se sentam no parlamento à direita do PS, e são mais de 60% dos deputados que se sentam à direita do PS, não vejam nessa maioria parlamentar que escolheram a capacidade de entendimento que permita aos portugueses acharem que dentro de quatro, cinco anos, as coisas podem ser transformadoras. (…) O PSD tinha a obrigação de explorar essa possibilidade. ” Comecemos por notar que Passos evidencia ter mudado radicalmente de ideias sobre entendimentos e coligações pós-eleitorais.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.

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