Passou anos a estudar dados económicos. Agora ensinaram-lhe o verdadeiro significado de estar encurralado pela subida do custo de vida
Estávamos há poucos minutos na estrada quando Jolene Simecek disse algo que me deixou sem palavras.
JÁ EM STREAMING: O que acontece quando trabalhar arduamente já não é suficiente? Priced Out in America acompanha famílias encurraladas pela crise do custo de vida e revela os fatores estruturais que transformaram profunda e permanentemente a economia dos Estados Unidos.
Não hesitou. "Não é agradável. Queria um quintal para o meu filho. Apenas o sonho americano normal — uma casa, uma cerca de madeira, um quintal. E parece simplesmente que isso está cada vez mais fora do nosso alcance. Não é uma realidade".
Fiquei em silêncio. Quando regressei a Washington, D.C., e vi as imagens, o peso daquele momento era visível — alguns segundos sem som, enquanto assimilava o que ela tinha dito.
Eis o que a câmara não conseguiu captar. Durante meses, antes de marcar um voo, estive mergulhado em dados económicos, a perseguir uma teoria que nunca tinha dito em voz alta: a de que a crise do custo de vida não estava apenas a tornar a vida cara. Estava a destruir o pacto em que todos tínhamos embarcado e no qual acreditávamos. Estudar, conseguir um emprego, trabalhar arduamente e fazer as coisas certas. Comprar a primeira casa, constituir família, acumular algum património, comprar uma casa maior.
Jolene tem 42 anos, é mãe solteira e trabalha desde os 13. Deixou o apartamento e endividou-se em 12.983 euros para voltar a estudar enfermagem, apostando em si própria e na escassez de profissionais na área da saúde. O preço a pagar: a cave da irmã, porque não havia outra opção. Os seus novos companheiros de casa têm cinco e três anos.
Ao passarmos pelo antigo complexo de apartamentos onde vivia, explicou-me as contas que a obrigaram a sair. Ao longo de sete anos, a renda aumentara de 679 euros para quase 1.385 euros — pela mesma casa. O rendimento não tinha aumentado.
"Já paguei 216.375 euros em rendas ao longo da minha vida", disse. "Já devia ter uma casa paga e património acumulado." Depois, a voz perdeu força. "Mas não tomei as decisões certas."
Jolene e eu temos a mesma idade, concluímos os estudos no mesmo ano e somos do mesmo estado, apenas de extremos opostos — ela do lado de Cleveland, eu do lado de Toledo. Durante algum tempo, as nossas vidas seguiram em paralelo. Depois separaram-se, e não consigo dizer onde ou porquê. Ela fez tudo o que nos disseram que devíamos fazer e vive na cave da irmã. Nas semanas seguintes, a única resposta que consegui encontrar foi um velho provérbio: não fora a graça de Deus, poderia ser eu.
"O custo de vida" está agora em todo o lado — um termo de gabinete que reduz Jolene a um ponto estatístico, usado como abreviatura para argumentos testados em sondagens. Uma expressão que se desliga das pessoas reais que sentem rasgar-se de vez o tecido, há muito a desfazer-se, que sustenta a promessa económica dos Estados Unidos.
O mercado bolsista estabelece novos recordes todas as semanas, por vezes todos os dias. Os lucros das empresas, o crescimento da produtividade e o consumo privado mantêm-se consistentemente robustos.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.