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Cerca de 10 mil migrantes que entraram ilegalmente continuam em Ceuta

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Cerca de 10 mil migrantes que entraram ilegalmente continuam em Ceuta

M ilhares de pessoas foram retiradas esta sexta-feira, um mês e meio depois da entrada em massa em Ceuta, de duas praias da cidade para serem alojadas num centro de acolhimento temporário.

Segundo o Governo de Espanha, este centro de acolhimento, instalado nos terrenos do porto de Ceuta, tem capacidade para alojar 1.700 adultos em tendas de campanha, assim como infraestruturas de saneamento e outras.

Estas 1.700 pessoas juntam-se a outras 4.160 alojadas no último mês e meio pelo Governo espanhol em locais semelhantes ao instalado junto ao porto e outros espaços de Ceuta, um enclave de Espanha no norte de África, com fronteira com Marrocos.

Há ainda 2.140 menores de idade não acompanhados registados e acolhidos em instalações do governo da cidade autónoma, segundo os dados oficiais.

O Governo de Espanha tem dito ser impossível saber com exatidão quantos migrantes permanecem em Ceuta depois de terem entrado ilegalmente na cidade dentro de uma avalanche de pelo menos 72.000 pessoas em 30 e 31 de julho.

O executivo tem sublinhado que só com o alojamento temporário em centro de acolhimento é possível fazer o registo de todas as pessoas e abrir os processos com vista ao repatriamento ou concessão de asilo, como exige a legislação nacional e europeia.

No entanto, o Governo espanhol, com base em dados das forças de segurança no terreno, disse hoje que a estimativa atual é que entre 9.000 e 10.000 pessoas das que entraram no final de julho continuem na cidade.

Atendendo a esta estimativa e ao número de pessoas já alojadas, faltam ainda entre 3.000 e 4.000 lugares de acolhimento para migrantes adultos que continuam nas ruas da cidade, mas também em zonas de montanha ou refugiados em alguns edifícios, segundo as autoridades.

Os números do Governo espanhol diferem dos do executivo da cidade autónoma, que na semana passada calculou que tenham ficado em Ceuta 13.000 pessoas após a entrada em massa no final de julho.

O primeiro-ministro de Espanha, o socialista Pedro Sánchez, disse na semana passada que o Governo espera que a situação em Ceuta esteja estabilizada até ao final do ano e tem insistido que só com o alojamento temporário e registo de todas as pessoas é possível fazer os repatriamentos porque assim o exigem as leis nacionais e europeias.

A oposição de direita espanhola tem exigido ao Governo o repatriamento imediato de todas as pessoas que entraram em Ceuta ilegalmente em julho.

O executivo tem também ouvido críticas desta oposição e de outros partidos sobre a demora na resposta à crise gerada em Ceuta, cuja gestão tem estado marcada por trocas de acusações também entre o Governo central, liderado pelos socialistas, e o local, do Partido Popular (PP, direita).

O Governo de Espanha tem-se queixado dos obstáculos que o executivo da cidade tem colocado para a disponibilização de espaços para o acolhimento dos migrantes ou em relação à transferência dos menores de idades não acompanhados para outras regiões de Espanha, acusando o PP de querer "tornar crónica a crise".

O PP e o governo local negam as acusações e dizem que o executivo de Sánchez recusa assumir as responsabilidades que tem e insistem na devolução imediata a Marrocos de toda

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