TPI diz que ataques de Trump resultam de um "mal-entendido"
S egundo Mame Mandiaye Niang, o TPI está a preparar soluções técnicas alternativas em antecipação a possíveis novas sanções dos EUA contra a instituição.
A administração Trump tem levado a cabo uma campanha de ataques e sanções contra o TPI, que se intensificou em novembro de 2024, quando este tribunal emitiu mandados de prisão contra o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, por crimes de guerra e crimes contra a humanidade na Faixa de Gaza.
"Quando se ouve isto que Rubio diz, há certos elementos que parecem decorrer de um mal-entendido", considerou Niang, na entrevista à agência de notícias francesa.
"Não temos qualquer interesse em infringir a soberania dos Estados. Sabemos que não somos a polícia do mundo e estamos perfeitamente conscientes disso", declarou o procurador senegalês.
Mame Mandiaye Niang rejeitou, no entanto, as acusações norte-americanas de que o TPI é uma instituição corrupta, avançando que "essa avaliação não pode ser aceite".
Niang, de 65 anos, está entre os altos responsáveis do TPI visados pelas sanções dos EUA, o que, como explicou, lhe torna quase impossível aceder a sistemas de pagamento ou realizar tarefas simples, como reservas de voos ou de hotéis.
"Talvez o que mais nos preocupa seja a própria ameaça de sanções adicionais, não só contra indivíduos, mas também contra a própria instituição, com potenciais repercussões negativas na nossa capacidade de continuar a trabalhar com o uso da tecnologia", admitiu.
Perante esta ameaça, o TPI, com sede em Haia, Países Baixos, está a esforçar-se por encontrar "alternativas para manter a independência e poder continuar o trabalho", destacou.
Niang prepara-se para presidir ao julgamento mais importante do TPI, o do ex-presidente filipino Rodrigo Duterte, processado por alegados crimes cometidos durante a sua "guerra contra a droga".
Ver líderes outrora todo-poderosos a serem responsabilizados pelos crimes de que são acusados envia uma mensagem "muito forte" a qualquer pessoa no poder que possa ser tentada a cometer atrocidades, afirmou.
"Todos concordamos que ninguém deve escapar à justiça. E é isso que simbolizamos aqui", acrescentou.
Até há pouco tempo, era "impensável" que Duterte se apresentasse perante o TPI, observou Niang, confessando que continua esperançado que os mandados de detenção contra o Presidente russo, Vladimir Putin, e contra o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netahyanu, levem, um dia, à sua comparência perante o banco dos réus.
"Vivemos num mundo onde coisas que parecem impossíveis hoje podem tornar-se perfeitamente óbvias amanhã", sublinhou.
Niang assumiu a chefia do gabinete do procurador do TPI no meio de uma crise, após a saída do seu antecessor, Karim Khan, que enfrenta acusações de abuso sexual, as quais nega.
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