Irão acusa EUA de recusarem conceder vistos a membros da delegação do PR
O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmaeil Baghaei, acusou as autoridades dos Estados Unidos de tentarem "fomentar a sua campanha de desinformação, pisando o direito ao acesso à informação", ao recusarem a entrada a jornalistas.
"Quando um governo bate com a porta na cara — mesmo a jornalistas norte-americanos de quem não gosta — e proíbe o acesso a repórteres estrangeiros, incluindo a equipa de comunicação do Presidente iraniano, cuja voz preferiria silenciar, não se trata de gerir o acesso à informação. Trata-se de tentar ocultar a verdade", afirmou Baghaei nas redes sociais, onde também se referiu à proibição imposta pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, aos jornalistas das redes CNN, MS NOW e do portal Politico.
"A nação que se orgulha de ter derrubado a Cortina de Ferro encontra-se agora sob a sua própria", acrescentou Baghaei, referindo-se à queda do bloco soviético após a Guerra Fria.
Trump manifestou no domingo disponibilidade para se reunir com Pezeshkian, aproveitando a sua visita a Nova Iorque por ocasião da sessão anual da Assembleia Geral da ONU.
"Ele [Trump] disse que provavelmente estará aberto a isso", afirmou o jornalista e correspondente da Fox News em Jerusalém, Trey Yingst, após uma conversa com o líder republicano.
A confirmar-se, a visita de Pezeshkian será a primeira de um alto responsável iraniano a território norte-americano desde o início da guerra, desencadeada no final de fevereiro por ataques israelo-americanos.
Um porta-voz da presidência iraniana, Habibollah Abbassi, precisou que o Presidente da República Islâmica irá discursar na quarta-feira perante a Assembleia Geral da ONU, antes de regressar a Teerão no sábado, segundo a agência iraniana Mehr.
De acordo com a agência de notícias France-Presse, os Estados Unidos autorizaram a delegação iraniana a deslocar-se à ONU, apesar do conflito em curso, mas esta estará sujeita, tal como já aconteceu no ano passado, a restrições quanto aos seus deslocamentos.
Os representantes iranianos não poderão comprar produtos de luxo nem outros artigos, salientou na quinta-feira o Departamento de Estado norte-americano, acrescentando que a delegação era "menos numerosa do que no ano passado".
O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, que faz parte da delegação, partiu de Teerão no domingo à noite e fez escala no Qatar, país mediador no conflito.
Não existem detalhes sobre esta paragem no Qatar, que ocorre num momento em que o Irão afirma ter transmitido novamente aos Estados Unidos, através de Doha, as suas condições para a reabertura do estreito de Ormuz, no centro do conflito entre Teerão e Washington.
O tráfego nesta via marítima, pela qual transitava, antes da guerra, um quinto dos hidrocarbonetos mundiais, tem sido fortemente perturbado por Teerão desde o início da guerra.
Por sua vez, os Estados Unidos estão a impor um bloqueio aos portos iranianos.
Embora as negociações continuem num impasse, tem-se verificado uma relativa calma nos últimos dias entre os beligerantes.
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