Na (re)ascensão dos extremos na Europa, o exemplo da Suécia
O fim das linhas vermelhas resulta na perda de eleições? Na ressaca de mais umas eleições na Alemanha, e de todas as reflexões que trazem consigo, olhamos para uma das potências europeias onde os extremos ascendem ao poder e o centro, juntamente com os partidos tradicionais, ficam reduzidos a quase nada.
Na região de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a AfD venceu com 38,3%, enquanto em Berlim o Die Linke foi o partido mais votado, com 25,7%.
Há uma clara e crescente fragmentação política não só na Alemanha, mas a acender um pouco por toda a Europa.
Exemplo disso é que no meio de toda a incerteza das eleições francesas, sabemos que um dos extremos será eleito.
Em Portugal, há novos partidos a quererem nascer para albergar vozes que até hoje não se ouviam, ou pelo menos não se ouviam desde 1975.
No meio disto tudo é importante olharmos para a Suécia.
O que aconteceu nas eleições legislativas suecas? A contagem final na Suécia, a 17 de setembro, pôs fim ao empate.
Os quatro partidos da oposição de esquerda (Sociais-Democratas, Esquerda, Verdes e Centro) conquistaram 176 dos 349 lugares no Riksdag, contra 173 do bloco de centro-direita conhecido como “Tidö”, que inclui os Democratas Suecos.
A diferença foi de cerca de 50 mil votos, num país de 10,6 milhões de habitantes.
Durante dias, o resultado esteve por confirmar: na véspera, com 99% dos votos contados, a projeção da SVT dava 175 lugares à esquerda e 174 à direita, e só a contagem dos boletins tardios, incluindo os enviados do estrangeiro, selou a vantagem.
Os Sociais-Democratas, de Magdalena Andersson, continuam a ser o maior partido, mas com cerca de 28% dos votos, o pior resultado em mais de um século.
Quem é Magdalena Andersson, a primeira-ministra na Suécia? É a primeira mulher a ocupar o cargo e é líder do Partido Social-Democrata sueco ( Socialdemokraterna ), o partido que governou a Suécia durante a maior parte do século XX.
É a figura central da vitória da esquerda nestas eleições, tem 59 anos e um percurso que passa pelas Finanças, onde foi ministra durante sete anos, até chegar à chefia do governo.
A 24 de novembro de 2021, o Parlamento elegeu-a primeira-ministra, sucedendo a Stefan Löfven, e tornou-se a primeira mulher a governar a Suécia, um país frequentemente apontado como dos mais avançados da Europa em igualdade de género.
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