Força internacional no Haiti atacada por gangs na capital
U m veículo da Força de Supressão de Gangues no Haiti (GSF, na sigla em inglês) foi atacado no domingo enquanto patrulhava a área metropolitana da capital, Porto Príncipe, confirmou hoje a missão.
A Força, citada pela agência de notícias Europa Press, não se pronunciou sobre possíveis vítimas após relatos nos meios de comunicação locais sobre o possível desaparecimento soldados salvadorenhos.
A GSF atribuiu o ataque a "alegados membros dos gangs" e detalhou que "indivíduos armados abriram fogo contra o veículo, o que desencadeou uma troca de tiros" na região de Santo, em Croix-des-Bouquets.
"Os membros da GSF responderam de acordo com as regras estabelecidas, contando com apoio aéreo de helicópteros da própria força", informou.
"As operações de segurança continuam na área, enquanto a GSF mantém os seus esforços para desarticular a atividade de gangues armados e exercer pressão sobre os grupos criminosos que operam na região", afirmou a Força num comunicado nas redes sociais.
As Forças Armadas de El Salvador informaram, num comunicado citado pela agência de notícias Associated Press (AP), que os quatro técnicos de aviação regressavam ao acampamento quando o veículo blindado foi atingido por explosivos e incendiado.
O comunicado acrescentou que os quatro homens conseguiram escapar do veículo em chamas e que as autoridades estão a trabalhar com as forças internacionais para "estabelecer contacto e determinar a localização do nosso pessoal militar".
A GSF, por seu lado, pediu aos moradores da zona que "permanecessem nas suas casas até novo aviso" e que "evitassem aproximar-se da zona de operações".
O incidente, cuja autoria ainda não foi reivindicada, ocorreu depois de o Conselho de Segurança das Nações Unidas ter decidido, em 29 de setembro, prolongar por seis meses o mandato da GSF — criada há pouco mais de um ano pelo organismo com o objetivo declarado de combater os gangues e apoiar os esforços de estabilização do Haiti —, prolongando a sua presença até 31 de março de 2027.
O episódio acontece numa altura em que o Haiti se prepara para as suas primeiras eleições gerais em mais de uma década, evidenciando o poder dos gangs armados - que controlam cerca de 70% de Port-au-Prince.
Em setembro de 2025, o Conselho de Segurança da ONU autorizou uma força de 5.550 membros destinada ao combate aos gangs, para substituir uma força multinacional — anteriormente liderada pelo Quénia — que enfrentou uma escassez de fundos e recursos ao tentar auxiliar a Polícia Nacional do Haiti a conter a violência cometida pelos gangs.
Atualmente, a GSF conta com mais de 1.500 efetivos em solo haitiano, incluindo soldados do Chade, da Jamaica e da Guatemala.
O Conselho de Segurança da ONU renovou, por um ano, o embargo de armas ao Haiti e as sanções contra certos responsáveis pela violência no país, sem apoio da Rússia.
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