“Não suporto que me tratem como se eu fosse um deficiente”
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Não suporto que me tratem como se eu fosse um deficiente. Às vezes eu sou insolente e digo assim: "Pronto, eu tecnicamente sou um deficiente, de acordo?" Sou levado a supor que o mundo se divide entre os eficientes e os deficientes e peço desculpa, mas eu acho que nalgumas coisas há pessoas muito mais deficientes do que eu.
Tanto. Basta que eu chegue a uma Segurança Social qualquer acompanhado com a Raquel, que há um funcionário da Segurança Social que nos acolhe e a primeira coisa que faz é falar para a Raquel, como se uma pessoa que anda de cadeira de rodas fosse um débil mental. Eu não acho que as pessoas façam isso por mal, mas a forma como se discriminam pessoas em Portugal é obscena. E quando eu vejo alguns governantes falar da forma como a Segurança Social protege os cidadãos e corresponde nestas alturas, aí sim, eu não fico com acesso.
Não, apetece-me dar um murro em quem diz isso, na verdade, porque não conhece nada do que se passa.
Ensinou-nos a olhar para as crianças sem manuais de instrução, a defender o brincar como a coisa mais séria da vida e a desconfiar das fórmulas perfeitas para ser feliz. Diz ter passado a vida a ensinar o sistema até ao dia em que a vida o obrigou a parar. Um acidente grave remeteu-o para o desafio de toda uma vida e confrontou-o com a pergunta mais dura de todas: se ainda fazia sentido querer estar vivo. A resposta não veio dos livros nem dos gabinetes que frequentou, mas sim da recusa absoluta em deixar de sonhar. Traz-nos agora a sua obra mais íntima, escrita com a vulnerabilidade de quem aprendeu a renascer e a certeza de que um pássaro, quando pousa, nunca deixa de voar. Apaixonado assumido pelas conversas demoradas, pelo valor do silêncio, pela escuta atenta e pelos detalhes mais simples do dia a dia, sem esquecer o grande Benfica. Um homem que voltou a encontrar a alegria de viver e que hoje está connosco todos os dias na Rádio Observador, hoje em especial no "Em 40 Minutos". Eduardo Sá, muito bem-vindo.
E num sítio especial. Estamos aqui, e vamos assumir, a gravar esta conversa antes da sua apresentação do livro aqui no El Corte Inglés em Lisboa. Vou-lhe confidenciar que quando lhe fiz o convite, que foi assim de relâmpago e aceitou logo, confidenciou-me que não gosta nada desta parte.
Não, eu não disse que não gostava, eu disse que odiava, que é muito pior. Odeio isto.
É uma parte em que se mostra, eu não digo vulnerável, mas é onde o Eduardo escreveu este livro, como eu disse na introdução, bastante íntimo. Há aqui uma passagem que eu já lhe vou ler e que me tocou bastante. E no fundo é mostrar-se ao seu público, a quem o segue, a quem o ouve.
Vamos cá ver. Eu gosto muito de conversar com as pessoas e gosto muito de pessoas. Por aí é tudo tranquilo para mim. Agora, eu não gosto de apresentações de livros, não gosto de sessões de autógrafos, porque eu não gosto muito de me assumir como uma primeira figura.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.