Comandante da PSP de Lisboa defende “menos discursos alarmistas” e reforço de efetivos
O comandante do comando metropolitano de Lisboa da PSP defende “menos discursos alarmistas” sobre segurança na praça pública, considerando que esta matéria requer um “trabalho efetivo e de coordenação” entre diferentes entidades, nomeadamente com as autarquias.
“As questões de segurança fazem-se com trabalho e se calhar com menos discursos públicos.
Faz-se com um trabalho efetivo, coerente, em parceria entre diversos atores sociais, e se calhar menos com discursos algo alarmistas na praça pública”, disse o superintendente-chefe Luís Elias, em entrevista à agência Lusa divulgada esta quinta-feira, 3 de setembro.
Este responsável da PSP respondia à Lusa sobre os alertas do presidente da Câmara Municipal de Lisboa para o clima de insegurança nas ruas da capital, tendo chegado a afirmar, no passado fim de semana, estar alarmado com a situação.
O comandando do comando metropolitano de Lisboa (Cometlis) da PSP sustentou que o autarca de Lisboa “tem toda a legitimidade de preferir as declarações que entender”, mas defendeu que “as políticas de segurança pública requerem, muitas vezes, recato, trabalho efetivo e coordenação entre diferentes entidades, entre as quais a própria autarquia”.
“Penso que cada vez mais o discurso público relativamente às questões de segurança tem que ser sensato e devemos evitar o alarmismo” , referiu, avançando que os números da criminalidade na área do Cometlis não mostram esta situação de insegurança e defendendo que o aumento este ano de crimes como tráfico de droga, condução com álcool ou ilegal, desobediência e furtos por carteiristas na grande Lisboa explica-se principalmente pelo reforço da presença policial nas ruas..
Segundo a PSP, a criminalidade geral aumentou 2,9% nos primeiros oito meses do ano na área do Cometlis e a criminalidade violenta e grave desceu 0,4% em relação ao mesmo período do ano passado.
Luís Elias considerou ser mais importante existir uma cooperação e parcerias permanentes entre a PSP e as autarquias do que “dizer que há uma situação de insegurança generalizada”.
Até porque, sublinhou, “não parece que isso seja verdade e os próprios números oficiais não o demonstram”.
“Partimos do particular para o todo e estamos a dizer que houve este crime e só por causa de este crime há um clima insustentável de insegurança.
É bom que tenhamos a noção e a consciência e que façamos uma avaliação comparativa com outras cidades europeias, com outras realidades em termos internacionais”, afirmou.
Luís Elias sublinhou que Portugal não está hoje “fechado e separado do mundo”, existindo fenómenos criminais que nascem em outras cidades e acabam por ter impacto também no país.
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