Zero defende prioridade à eólica ‘offshore’ no novo cais do Porto de Sines
A Zero defendeu hoje 24 de setembro que o novo Cais de Carga Geral do Porto de Sines, cujo projeto prevê utilização civil e militar, deve ter como prioridade a transição energética e a eólica ‘offshore’.
O novo cais do porto alentejano, no distrito de Setúbal, promovido pela Administração dos Portos de Sines e do Algarve (APS), poderá ser “uma infraestrutura relevante para a transição energética” e “criação de uma cadeia de valor” associada “à eólica ‘offshore’”, sustentou a associação, em comunicado.
No entanto, acrescentou, o Estudo de Impacte Ambiental (EIA) do Novo Cais de Carga Geral, que esteve em consulta pública até dia 09 deste mês, “ainda não demonstra que essa será efetivamente a utilização prioritária da infraestrutura”.
O estudo, consultado pela agência Lusa, estabelece que a infraestrutura deverá cumprir requisitos de utilização civil e militar.
Segundo a Zero, o EIA “reconhece que o uso final” do futuro cais ”permanece por definir, admitindo simultaneamente atividades ligadas às renováveis ‘offshore’, granéis agroalimentares, operações RO-RO com automóveis e utilização dual civil e militar”.
Para a organização “esta indefinição é decisiva”, tendo em conta que “uma infraestrutura portuária concebida para permanecer em funcionamento durante muitas décadas não pode ser avaliada como se todas as utilizações possíveis tivessem os mesmos impactos”.
No entender da associação ambientalista, o novo cais tem “características adequadas à eólica ‘offshore’”, nomeadamente a “elevada capacidade de carga, grandes áreas de terrapleno e acesso ferroviário”.
“Estas condições devem ser utilizadas para desenvolver capacidade industrial em Portugal, incluindo montagem, integração de componentes, manutenção, reparação, logística especializada e engenharia”, defendeu.
E desta forma, evitar “que o país se limite a disponibilizar porto, território e energia para o simples transbordo de equipamentos produzidos longe dos locais onde serão instalados”.
“Esta opção deve articular-se com o Plano de Afetação para as Energias Renováveis Offshore (PAER), o planeamento das futuras áreas de aceleração industrial, a rede elétrica e os instrumentos públicos de financiamento e de promoção da transição energética”, pode ler-se.
Apesar de considerar “positiva a previsão de um novo ramal ferroviário diretamente ligado ao cais”, a associação referiu que a “eletrificação e armazenamento continuam insuficientemente definidos”.
O projeto “não apresenta ainda uma estratégia integrada de eletrificação do terminal nem um sistema de armazenamento destinado a gerir picos de potência, integrar produção renovável local ou prestar serviços de sistema”, argumentou.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em jornaleconomico.sapo.pt — o conteúdo pertence a Jornal Económico.