"País não ganha se o PSD estiver acorrentado ao partido à nossa direita"
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, respondeu, esta segunda-feira, às declarações proferidas pelo antigo chefe do Executivo Pedro Passos Coelho, que considerou que, no início da legislatura, o Partido Social Democrata (PSD) "tinha a obrigação" de ter tentado um acordo com o Chega e a Iniciativa Liberal (IL).
Sem nunca mencionar o nome do social-democrata, tampouco do partido encabeçado por André Ventura, Montenegro vincou que "este PSD não precisa, não deve e o país não ganha nada se estiver acorrentado ao partido que está à nossa direita".
"Tivemos uma eleição, tivemos um congresso.
Já tínhamos tido a eleição nacional, portanto temos agora um duplo compromisso: o compromisso com o povo e o compromisso com os militantes do PSD, e esse compromisso é para cumprir.
Não vamos andar mês a mês, trimestre a trimestre, ou semestre a semestre a repetir as decisões.
As decisões estão tomadas e são para levar até ao fim.
Não tenho dúvidas: este PSD não precisa, não deve e o país não ganha nada se estiver acorrentado ao partido que está à nossa direita e que é, hoje, o segundo partido com maior representação parlamentar na Assembleia da República", disse Montenegro, no jantar de comemoração da vitória autárquica de Pedro Duarte à Câmara Municipal do Porto.
O líder social-democrata complementou que "o país quer, quis e precisa de um Governo que governe, e é isso que tem", uma vez que dialoga "com quem está disponível, matéria a matéria, com quem é capaz de ceder e de aproximar".
" Nós não governamos o país na base das birras, das cismas, dos complexos de ninguém .
Nós governamos o país na base do interesse dos cidadãos, das instituições, da sociedade portuguesa", asseverou.
Contudo, o primeiro-ministro ressalvou que os militantes do PSD não são "daqueles que se acham mais inteligentes do que os outros, mais dotados do que os outros, e que acham que têm sempre razão", ainda que sejam "dos que têm uma linha, com rumo, com convicção".
"É precisamente por isso que, quando no PSD se apresenta [uma proposta] aqui ou acolá, mesmo que de forma repetitiva, às vezes com uma visão diferente, nós não deixamos de ouvir. […] Quando, no início deste ano, se quis apresentar essa visão como alternativa, como outra opção, nós fizemos o que se impunha e desafiámos o partido a ser claro.
Temos sempre de ser claros mas, quando estamos no Governo, temos ainda de ser mais claros, porque temos a confiança acrescida do povo.
Portanto, venha de onde vier, se há alternativas de pensamento, devem ser a analisadas e foi isso que fizemos, tranquilamente, no PSD", disse.
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