Letónia diz que França está disposta a negociar acordo de escudo nuclear
"T enho mantido um contacto ativo com o Presidente francês [Emmanuel Macron] sobre uma cooperação mais estreita entre a Letónia e França em matéria de segurança e defesa", afirmou Andris Kulbergs, num comunicado.
"O Presidente Macron acedeu a começar negociações com a Letónia para a adesão do nosso país à iniciativa francesa de dissuasão nuclear, e uma delegação francesa chegará em breve à Letónia para dar início a essas negociações. O Presidente Macron também expressou o seu compromisso de reforçar a presença militar francesa na Letónia, especialmente no âmbito da defesa aérea", acrescentou.
Segundo órgãos da imprensa internacional, como o jornal Financial Times e a estação televisiva Euronews, que citam as suas fontes, França tinha apoiado a retirada de Usmanov da lista para facilitar a libertação de cidadãos franceses detidos no Azerbaijão.
O comunicado do Governo letão não relacionou a oferta francesa à Letónia ao facto de o país báltico ter desistido da exigência de que Usmanov e Fridman se mantivessem na lista de sanções comunitárias.
A declaração de Kulbergs sobre a oferta de Macron foi, contudo, incluída num comunicado mais extenso que explicava por que razão a Letónia tinha mudado de posição.
A nota de imprensa citava Kulbergs dizendo: "Não se tratava de escolher entre uma boa e uma má solução, mas entre uma má e uma muito pior: uma oportunidade para optar entre alterar o estatuto de duas pessoas e o futuro de todo o regime de sanções, que afeta mais de 2.600 pessoas e entidades associadas à agressão russa" à Ucrânia.
No entanto, o Governo letão vai promover legislação para impor sanções nacionais a ambos os oligarcas russos.
"A Letónia continuará a utilizar todos os instrumentos legais ao seu alcance para impedir a libertação dos fundos e recursos económicos destas pessoas na Letónia", refere o comunicado.
A notícia de que a Letónia vai iniciar conversações para estender o "guarda-chuva nuclear" francês ao seu território surge no mesmo dia em que os deputados lituanos deram o primeiro passo num processo, que durará pelo menos seis meses, para eliminar da Constituição do país a proibição da presença de armas nucleares em território lituano.
O parlamento lituano, o Seimas, aprovou hoje, com 99 votos a favor, 13 contra e cinco abstenções, o início do processo de revogação do artigo 137.º da Constituição, que estipula que "não poderá haver armas de destruição maciça nem bases militares estrangeiras no território da República da Lituânia".
Após a votação sobre a aprovação da alteração constitucional prevista para 06 de outubro, e cuja aprovação definitiva está agendada para 12 de janeiro de 2027, a Lituânia poderá também incorporar armas nucleares dos seus aliados, como, por exemplo, no âmbito do acordo de dissuasão nuclear francês.
No ano passado, o primeiro-ministro da Estónia, Kristen Michal, declarou que o seu país, a mais setentrional das três repúblicas bálticas, também estava aberto a que o Reino Unido destacasse no seu território aviões de combate F-35 com capacidade nuclear.
Todos estes países bálticos fazem fronteira com a Rússia, ao passo que a Letónia e a Lituânia também fazem fronteira com a Bielorrússia.
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