De Mach 3,2 aos céus blindados. Quando a aviação comercial travou e a guerra acelerou
Se tivéssemos dito a alguém nos gloriosos anos 70/80 que, em 2026, o ser humano demoraria mais tempo a cruzar o Atlântico do que naquela época, chamavam-nos loucos.
A ficção científica e o majestoso Concorde prometeram-nos que o futuro seria supersónico, mas o pico da nossa velocidade civil ficou definitivamente no passado.
Trocámos o avião de passageiros mais rápido do mundo, capaz de rasgar a estratosfera e enganar os fusos horários, por autênticos autocarros com asas.
Decidimos, coletivamente, abrandar.
A aviação comercial não estagnou propriamente, mas a sua evolução abrandou o passo e mudou de foco: trocámos a ambição da velocidade pela obsessão de cortar custos e garantir a sustentabilidade.
Neste novo cenário, o duopólio transatlântico seguiu caminhos muito distintos.
A norte-americana Boeing tropeça hoje na sua própria arrogância, mais preocupada em remendar escândalos e portas que voam pelos ares do que em inovar.
A europeia Airbus, pelo contrário, assumiu a liderança civil com uma eficácia indiscutível.
Afinal, corre-lhe nas veias o sangue da Aérospatiale, os pais fundadores do próprio Concorde.
No entanto, também a Airbus se teve de curvar à pressão dos lucros e da ecologia — um pragmatismo bem visível no enorme sucesso da família Airbus NEO (New Engine Option).
São máquinas fantásticas a cortar emissões e a poupar combustível, mas provam que a guerra pela velocidade pura teve de mudar de palco e vestir camuflado.
A grande ironia tecnológica da nossa era é esta: se no auge da Guerra Fria já colocávamos pilotos a rasgar os céus a Mach 3,2, hoje, décadas depois, a escalada militar atirou-nos para lá da incrível barreira do Mach 6,7 (mais de 8000 km/h).
O problema? O pragmatismo financeiro e as metas de carbono tomaram conta dos voos civis.
Retirámos os humanos destas velocidades alucinantes e deixámos o voo extremo apenas para mísseis e drones não tripulados.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.