O PISA 2025 e vinte anos de política educativa em Portugal
Os números do PISA 2025 não deviam surpreender ninguém que tenha acompanhado, com atenção e sem cor partidária, a evolução curricular portuguesa da última década. Os alunos portugueses obtiveram 462 pontos a Leitura, o pior resultado desde que Portugal entrou no estudo, em 2000, e oito pontos abaixo do que se registou nessa primeira participação, e 460 pontos a Matemática, um valor que nos devolve a 2003. A Ciência, único domínio onde houve uma espécie de estabilização, fê-lo em baixa, 482 pontos, longe dos 506 de 2009. No ranking geral, Portugal surge em 29.º lugar a Ciências, 26.º a Leitura e 30.º a Matemática. Depois de mais de uma década de discurso oficial sobre "flexibilidade curricular", "autonomia das escolas" e "aprendizagens essenciais", o país devolveu resultados idênticos aos do início do milénio. Não é um acidente estatístico. É a fatura de opções.
Antes de atribuir culpas, vale a pena isolar o que o próprio relatório da OCDE evidencia, porque nem tudo aponta na direção óbvia.
Em primeiro lugar, o apoio percebido pelos alunos em relação aos professores mantém-se claramente acima da média da OCDE, 80% dizem que o professor mostra interesse pela aprendizagem de cada aluno (média OCDE: 69%), 77% que o professor continua a ensinar até perceberem (média OCDE: 66%), 83% que recebem ajuda extra quando precisam (média OCDE: 73%). Há, é certo, uma erosão face a 2015, quando os três indicadores estavam nos 83%. Mas o dado essencial é que o problema não está, segundo os próprios alunos, na relação professor-aluno em sala de aula. Os professores continuam a fazer, proporcionalmente, mais do que a generalidade dos seus colegas da OCDE. O que colapsou foi outra coisa, o desempenho.
Em segundo lugar, o envolvimento parental caiu de forma abrupta, de 84% para 73% os pais que perguntam semanalmente o que os filhos fizeram na escola, e de 69% para 53% os que discutem semanalmente problemas escolares, são quase 16 pontos percentuais de queda em apenas três anos (2022–2025). É um fenómeno transversal à generalidade dos países da OCDE, o que sugere causas estruturais mais amplas, ritmos de trabalho, hábitos de comunicação familiar, pós-pandemia, e não um problema exclusivamente português. Ainda assim, um sistema educativo que perde apoio familiar ao mesmo tempo que reduz exigência curricular está a somar fragilidades, não a compensá-las.
Em terceiro lugar, e este é o ponto mais incómodo para quem quer arrumar o problema na gaveta do "é global, não há nada a fazer", a queda portuguesa não é apenas parte de uma tendência internacional indiferenciada. É verdade que a generalidade dos países da OCDE regride. Mas os países do Sudeste Asiático, como bem notou o investigador João Marôco em entrevista ao Expresso, mantêm-se no topo, mesmo sendo sociedades com utilização massiva de tecnologia digital entre jovens, dentro e fora da sala de aula. Se a explicação fosse simplesmente "redes sociais e smartphones", o fenómeno teria de ser universal. Não é. Isso obriga-nos a olhar para o que distingue os sistemas que resistiram dos que colapsaram.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.