“Portugal deixou de ser a pequena economia onde os investidores procuravam elevados retornos”, diz partner da Dils
O imobiliário português tem sido uma das principais fontes de captação de investimento estrangeiro nos últimos anos para Portugal, algo que deu um sinal de confiança e segurança aos investidores em relação ao país.
Esta foi uma das mensagens transmitidas no painel ‘Portugal: A Location for Global Capital’, inserido no The District Madrid, que decorre até quinta-feira, 24 de setembro na capital espanhola.
“O maior passo que Portugal deu nos últimos cinco anos está, em grande medida, relacionado com aquilo que fez nos últimos 10 a 15 anos, período durante o qual nos tornámos um país sólido para os investidores.
Deixou de ser uma história sobre uma pequena economia numa geografia muito difícil, onde os investidores vinham sobretudo à procura de retornos elevados.
Ultrapassámos definitivamente essa fase”, afirmou Fernando Ferreira, partner da Dils Portugal.
De resto, apontou que ao longo de todo o ciclo de investimento, o país tem hoje investidores que vão desde os oportunistas até aos investidores core, bem como muito mais liquidez do que há cinco anos, especialmente com o regresso dos fundos abertos, que estão novamente a considerar Portugal como uma opção real para os investidores que pretendem vender.
“Estamos a assistir a um interesse crescente por parte dos investidores privados em Portugal em entrar no imobiliário comercial, e isto demonstra quão sólido é hoje o nosso país.
Já não existe nenhum setor que seja considerado o ‘patinho feio’”, reiterou.
Presente neste painel esteve Pedro Coelho, CEO da Square Asset Management que vê “num mundo virado do avesso”, uma das principais razões para um investidor decidir alocar mais capital em Portugal do que noutros mercados europeus.
“Antes, na Europa, por exemplo, a Alemanha era o país de referência, atualmente vemos que os investidores querem investir na Alemanha em oportunidades oportunísticas e de value-add.
Por outro lado, a perceção dos investidores é de que a Península Ibérica, e Portugal em particular, são mais seguros do que a Europa Central”, referiu.
Uma dessas razões deve-se no seu entender ao facto de Portugal ter percorrido um caminho muito longo e positivo nos últimos 15 anos, desde a época da troika e da crise da dívida soberana.
“Um caminho que, atualmente, nos coloca numa situação muito favorável, com um superavit orçamental, e as nossas yields estão abaixo das de Espanha, França, Reino Unido, Itália, Grécia”, realçou.
Por outro lado, o facto de há apenas duas semanas, a Fitch também ter melhorado o rating do país, que se encontra agora em A+, algo que é muito importante para os investidores, especialmente no imobiliário.
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