Mais de 110 mil alunos sem todos os professores na semana passada, diz FENPROF
O problema das escolas sem professores agravou-se e um terço dos diretores prevê dificuldades ao longo do ano letivo: mais a sul, desde o início do ano, e mais a norte, ao longo do ano, à medida que forem sendo necessárias substituições.
O alerta é lançado esta segunda-feira, 14, pela FENPROF – Federação Nacional dos Professores: “Comparando a semana de 7 a 11 de setembro de 2026 com a semana de 8 a 12 de setembro de 2025, constatamos que o número de horários lançados passou de 1372 para 1453 e o número de horas de 23806 para 25488, representando um crescimento de 6% e 7%, respetivamente”.
Contas feitas, a estimativa da federação apontava para mais de 110 000 alunos sem todos os professores, na semana passada.
O problema agravou-se significativamente no distrito de Lisboa: de 323 horários anuais e completos passou-se para 500.
No 1.º CEB, passou-se de 112 horários completos e anuais para 175.
Os distritos mais afetados são Lisboa, Setúbal, Faro, Leiria e Porto, que ultrapassou Santarém.
Outro indicador são as reservas de recrutamento.
Segundo a FENPROF: “Após a RR3 registam-se este ano 17 694 candidaturas, correspondentes a 12 951 candidatos, um número apenas ligeiramente superior aos 12 929 candidatos no mesmo momento do ano anterior “.
No entanto, mais de metade das candidaturas disponíveis — 9250, correspondentes a 52,3% do total — concentra-se no GR 100 (Educação Pré-Escolar), com 4854 candidaturas, e nos dois grupos de Educação Física, que, em conjunto, somam 4396 (2135 no GR 260 e 2261 no GR 620).
A federação chama ainda a atenção para o facto de o grupo de não colocados na Contratação Inicial (disponível para as subsequentes reservas de recrutamento) ser este ano inferior ao registado no ano anterior: 22 283 candidaturas, contra 23 734 em 2025/2026, e 16 771 candidatos, contra 16 816.
“Estes dados confirmam que não existe um reforço da bolsa disponível para responder a necessidades que, como vimos, aumentaram face ao ano anterior.
A esta realidade acresce a saída, só nos meses de setembro e outubro, de 1 102 docentes por aposentação, aumentando a pressão sobre a capacidade de resposta do sistema ao longo do ano letivo”.
ALUNOS SEM ESCOLA A federação denuncia a decisão do Ministério da Educação, Ciência e Inovação de não realizar, no final do ano letivo anterior, as reuniões locais de definição da rede escolar.
“Fez com que o problema das matrículas, nos concelhos onde o parque escolar é insuficiente face à procura, chegasse ao início do ano letivo sem estar resolvido”.
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