Primeira demissão na crise migratória de Ceuta
Gonzalo Sanz, o chefe de gabinete do delegado do Governo de Ceuta, despediu-se esta sexta-feira, naquela que é a primeira demissão de um cargo público na sequência da crise migratória no enclave espanhol . A decisão surgiu na sequência de um pedido efetuado pelo superior de Sanz, o delegado Miguel Ángel Pérez Triano, na quinta-feira, após a divulgação dos documentos confidenciais pelo Governo de Pedro Sánchez . Nas informações tornadas públicas, os serviços secretos espanhóis dão conta de que partilharam com Sanz a convocatória que circulava online, apelando à entrada de migrantes na cidade. Contudo, Pérez Triano diz não ter sido informado pelo seu chefe de gabinete .
Secretas espanholas avisaram autoridades de Espanha e Marrocos de “tentativas de entradas a nado” em Ceuta um dia antes
Gonzalo Sanz afirma que avisou o delegado do Governo da iniciativa difundida nas redes sociais que conduziu à entrada de dezenas de milhares de migrantes em Ceuta, no passado dia 30 de julho. O chefe do gabinete de Pérez Triano justifica a demissão, num comunicado citado pelo El País , e destaca “a evidente incompatibilidade” entre a sua afirmação e “as várias declarações do delegado em diferentes meios, nos quais afirma não ter recebido qualquer informação” a esse respeito.
Pérez Triano manteve que os dados comunicados pelo CNI ( Centro Nacional de Inteligenci a) a Gonzalo Sanz nunca lhe foram transmitidos . “Quando o CNI tem um alerta, faz-se um relatório que é entregue num envelope fechado e endereçado aos organismos competentes”, afirmou o responsável político.
Mais de 70.000 pessoas entraram ilegalmente em Ceuta entre 30 e 31 de julho, naquilo que o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, qualificou como uma “violação da integridade territorial de Espanha” e pela qual responsabilizou as máfias de tráfico de seres humanos que deturparam uma sentença recente sobre devoluções de migrantes que chegam a Espanha a nado.
Mais de 90% das pessoas que entraram ilegalmente no enclave espanhol no norte de África, que tem fronteira com Marrocos, saíram de Ceuta nas horas e nos dias imediatos, mas pelo menos 5.000 permanecem na cidade, incluindo milhares que permanecem nas ruas.
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