Impasse e ameaças da guerra no Irão empurram petróleo para máximos de três semanas
Os preços do petróleo atingiram esta quinta-feira os níveis mais elevados das últimas três semanas, impulsionados pelas preocupações de que o impasse na guerra com o Irão continue a perturbar o abastecimento proveniente da principal região produtora do Médio Oriente, numa altura em que Donald Trump ameaça aumentar a pressão económica e financeira sobre Teerão.
Os futuros do petróleo Brent para entrega em outubro avançam 2,26% para 93,74 dólares por barril, enquanto os do West Texas Intermediate dos EUA para setembro ganham 2% para 86,37 dólares por barril, ambos a atingirem máximos desde o final de julho durante a sessão, registando ganhos pela quinta sessão consecutiva e tendo fechado na quarta-feira nos seus níveis mais altos desde 24 de julho.
“As perspetivas de encontrar uma solução diplomática rápida para o conflito no Médio Oriente parecem ter desaparecido na ‘névoa da guerra’ “, referiu Norbert Rücker, head of economics and next generation research no banco privado suíco Julius Baer, adiantando que isso alimenta receios quanto ao abastecimento e impulsiona os preços do petróleo.
MNE iraniano: plano de Trump está “destinado ao fracasso” Ler Mais O tráfego marítimo no Estreito de Ormuz na quarta-feira manteve-se inalterado em relação ao dia anterior, uma vez que as negociações para pôr fim ao conflito continuavam num impasse, de acordo com os dados mais recentes citados pela LSEG/Refinitiv.
Antes da guerra, que teve início com os ataques dos EUA e de Israel ao Irão a 28 de fevereiro, passavam por esta via navegável cargas equivalentes a cerca de um quinto do consumo global.
Os analistas do Deutsche Bank realçaram que, tendo em conta o impasse, Donald Trump quer aumentar a pressão sobres as finanças iranianas, tendo publicado durante a noite que a “OPERAÇÃO ECONÓMICA MAIS DEVASTADORA JÁ REALIZADA CONTRA QUALQUER PAÍS!”. que seria “uma guerra económica e um isolamento numa escala sem precedentes”.
O presidente americano sublinhou que “qualquer país que permita que as suas instituições financeiras, empresas, aeroportos ou entidades governamentais prestem qualquer tipo de apoio vital ao Irão enfrentará, ele próprio, consequências económicas tremendas».
Segundo os analistas do Deutsche Bank, é importante notar que, por outro lado, continua a não haver sinais de quaisquer negociações entre os EUA e o Irão e, quando questionado sobre se as negociações iriam recomeçar, Trump respondeu “talvez, em algum momento “.
A incerteza deverá continuar, previu Hiroyuki Kikukawa, estratega-chefe na Nissan Securities Investment, citado pela Reuters .
“É provável que o mercado mantenha uma tendência gradual de alta, dada a incerteza em relação às negociações de paz e às tensões envolvendo os Emirados Árabes Unidos, Omã e o Irão “, acrescentou.
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