Líderes mundiais reúnem-se na ONU para debater guerras, clima e Inteligência Artificial
Os líderes de mais de 190 países reúnem-se esta semana em Nova Iorque para o debate geral da 81.ª Assembleia Geral das Nações Unidas, que tem como tema “Restaurar a Confiança, Gerir a Transformação”, numa altura em que a instituição liderada por António Guterres vive uma época de crise e luta para manter a sua relevância, enfrentando os ataques e cortes financeiros dos Estados Unidos de Donald Trump, que discursará em Nova Iorque pelo segundo ano consecutivo.
As discussões desta semana deverão estar centradas nas guerras no Médio Oriente e na Ucrânia, bem como no Sudão, no Congo e em Myanmar, mas também no receio de que a Inteligência Artificial, ainda a carecer de regulação, possa ameaçar a humanidade, como alertaram recentemente vários líderes as principais empresas da área.
Pode contar-se ainda com intervenções sobre o aquecimento global e as suas ameaças, a crescente desigualdade entre os países e o choque na economia global causado, em grande parte, ao conflito entre Estados Unidos e Irão e ao seu impacto nas rotas de navegação e, consequentemente, no preço dos combustíveis, alimentação e outros bens.
O futuro das Nações Unidas e a sua importância dos dias de hoje será também tema de conversa, depois dos seus 193 países terem acordado um plano de reformas que pretende trazer a organização do modelo traçado após a Segunda Guerra Mundial para a realidade do século XXI, através da modernização de vários organismos.
Nomeadamente, o poderoso Conselho de Segurança, muitas vezes paralisado devido à falta de entendimento entre os seus membros permanentes - EUA, Rússia, China, Reino Unido e a França -, que se fazem valer do seu poder de veto.
Membros que não estão dispostos a abdicar do seu poder.
O futuro das Nações Unidas passa também por quem será o seu próximo secretário-geral (ou provavelmente secretária-geral), sucedendo a António Guterres, que termina o seu segundo mandato de cinco anos, a 31 de dezembro.
Uma corrida que ainda não tem nome favorito claro.
“Embora se ouça dizer frequentemente que a ONU está em declínio, todos os meses de setembro registamos um número recorde de líderes que vêm discursar na Assembleia Geral.
Continua a ser um palco de grande importância.
Recorde-se ainda que a Assembleia Geral é o local para onde o mundo se vira de forma a reagir a crises urgentes.
Não há alternativa a isso”, defende Richard Gowan, diretor para a ONU e Diplomacia Multilateral no think tank International Crisis Group.
Num tom menos otimista, este especialista em Nações Unidas refere ainda que, mais de ano e meio após o início do segundo mandato de Donald Trump, “já não diríamos que a ONU está em queda livre, mas diríamos que está presa numa crise sem prazo para acabar”.
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