Sindicato da PJ vai processar Estado por seis anos de atrasos
A Associação Sindical dos Funcionários de Investigação da Polícia Judiciária (ASFIC/PJ) vai processar o Estado, para exigir a regulamentação de matérias em falta há seis anos.
"A ASFIC, decorridos mais de seis anos sobre a entrada em vigor do Estatuto [Profissional da Polícia Judiciária] [...] e não tendo havido [...] uma série de regulamentações, decidiu que vai intentar nos próximos dias uma ação por essa omissão regulamentar", disse hoje à Lusa o presidente da ASFIC/PJ.
Segundo Nuno Domingos, a ação vai dar entrada no Tribunal Administrativo de Lisboa "no início da próxima semana" e vai visar o Ministério da Justiça, que tutela a Polícia Judiciária (PJ).
No total, estão em causa 14 regulamentos que o estatuto que entrou em vigor em 01 de janeiro de 2020 previa que fossem concluídos em 180 dias e que até hoje não foram, alega a associação sindical.
Destes, o líder da ASFIC/PJ destacou o Regulamento de Colocações, o Regulamento Disciplinar e o Regulamento de Formação e o Regime Remuneratório do Formador.
No caso das colocações, "o que está em causa é uma mudança de paradigma" que visa tornar o processo menos subjetivo e mais previsível, em particular para profissionais "que estão deslocados em Lisboa e querem ir para o Centro ou para o Norte".
O atual regulamento disciplinar data de 1994 e, defendeu Nuno Domingos, "prevê coisas completamente ilegais, como a suspensão sem vencimento dos trabalhadores quando forem pronunciados [acusados após instrução] por crimes de pena superior a três anos" de prisão e a possibilidade de o procedimento disciplinar se prolongar até 10 anos, quando o limite geral do trabalho em funções públicas é de 18 meses.
O novo Regulamento do Formador e o novo Regime Remuneratório do Formador visam permitir, por sua vez, "que as pessoas que de facto têm vocação para a formação - que nada mais é do que um instrumento de alavanca para a produtividade na Polícia Judiciária - possam ir para esses lugares sem perder dinheiro".
"Sabemos que Roma e Pavia não se fizeram num dia, mas o que a ASFIC pretende, com o seu sindicalismo responsável e se calhar demasiado paciente, é que a tutela mostre um calendário de aprovação dos documentos, alguns dos quais a ASFIC já entregou quase 'chave na mão' há mais de dois anos, para que isso ponha termo à necessidade de os tribunais obrigarem o Ministério da Justiça a regulamentar", concluiu o dirigente sindical.
A Polícia Judiciária de Cabo Verde deteve uma mulher brasileira de 22 anos com quatro quilos de cocaína na bagagem, após um voo com escala em Lisboa. A suspeita foi colocada em prisão preventiva e está acusada de tráfico de droga.
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