PHDA no feminino: “Muitas mulheres passaram anos a acreditar que eram o problema”
Acompanhe toda a atualidade informativa em 24noticias.sapo.pt A história da PHDA no feminino é, segundo a psiquiatra Sara Castro, “muito recente”.
Durante mais de um século, a condição foi descrita a partir de um único modelo: o do rapaz hiperativo.
Essa visão acabou por influenciar não apenas o diagnóstico médico, mas também a própria perceção cultural da perturbação.
“Durante mais de um século foi descrita a partir de um único protótipo do menino hiperativo.
Tudo o que veio depois disso e a imagem cultural desta condição herdou essa lente”, explica a especialista, numa conversa com a médica Margarida Santos, no podcast “Top of Mind” .
Durante muito tempo, as mulheres com PHDA foram encaradas como uma espécie de “minoria silenciosa”.
Hoje, porém, essa expressão começa a perder sentido.
Embora nas populações pediátricas se observe uma proporção de cerca de três a quatro rapazes diagnosticados por cada rapariga, a diferença entre os sexos aproxima-se à medida que se olha para outras fases da vida.
Para Sara Castro, esta diferença pode refletir, em parte, um artefacto diagnóstico.
“As meninas com PHDA não são diagnosticadas mais cedo.
Não se trata de uma diminuição da prevalência real”, afirma.
Quando a hiperatividade não é física Uma das principais razões para o subdiagnóstico está na forma como a PHDA se manifesta.
Se nos rapazes a hiperatividade física tende a ser mais evidente, nas mulheres os sinais podem ser predominantemente desatentos ou assumir uma forma mais interna.
Nas mulheres, a apresentação pode ser “desatenta, mista, com impulsividade e uma hiperatividade mais na esfera mental”.
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