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O paradoxo Dolly

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O paradoxo Dolly

Michael Bublé contou uma história que diz muito sobre Dolly Parton.

Um dia recebeu uma carta dela a perguntar se estaria disponível para cantar uma música em dueto.

A carta era surpreendentemente simples, até tímida, escrita por alguém que não precisava de pedir licença.

Bublé respondeu que sim e só depois ouviu a música.

Uma boa definição de reputação: “Quando Dolly Parton pede, diz-se que sim.” Num tempo em que pessoas e marcas procuram agradar ao maior número possível de pessoas através da eliminação de tudo o que possa criar desconforto, Dolly Parton fez o contrário: tornou-se universal sem se tornar genérica.

Com a morte de Dolly Parton, multiplicaram-se homenagens vindas de lugares improváveis.

Do country à pop, do cinema à política, de artistas de gerações completamente diferentes a antigos presidentes dos Estados Unidos.

Em Portugal, talvez muita gente associe “ I Will Always Love You ” sobretudo a Whitney Houston e ao filme “The Bodyguard”.

A versão tornou-se um fenómeno mundial, com perto de dois mil milhões de visualizações (!) só no vídeo oficial no YouTube.

Mas a música foi escrita por Dolly Parton, em 1974.

Curiosamente, nesse mesmo ano, Elvis Presley quis gravá-la, mas o seu agente exigia metade dos direitos de publicação, condição que ela recusou.

Quando Whitney a transformou num fenómeno global, a composição continuava a ser propriedade de Dolly e só nos anos 90 terá recebido cerca de 10 milhões de dólares em royalties.

Ser generosa não a impedia de saber exatamente o seu valor e o valor daquilo que era seu.

E talvez seja aqui que começa o paradoxo.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em eco.sapo.pt — o conteúdo pertence a ECO.

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