Analistas dizem que S&P deve manter 'rating' de Portugal inalterado
A Standard & Poor's vai avaliar a dívida soberana portuguesa esta sexta-feira, pela segunda vez este ano, e os analistas ouvidos pela Lusa antecipam uma manutenção do 'rating' em A+, bem como da perspetiva em positiva.
Filipe Silva, diretor de Investimentos do Banco Carregosa, recorda à Lusa que na última revisão, em fevereiro, a S&P manteve o rating de Portugal em A+, mas alterou o outlook de estável para positivo e "desde então, a economia portuguesa tem apresentado um desempenho melhor do que o inicialmente esperado, o que contribui para atenuar os receios de que os choques energéticos e geopolíticos pudessem travar de forma significativa a atividade económica".
"Mesmo admitindo um pequeno défice orçamental, Portugal deverá continuar a destacar-se favoravelmente face à média europeia em termos de desempenho das contas públicas", sinaliza o analista, acrescentando que os fundos recebidos ao abrigo do PRR contribuem para reduzir o risco de execução e suportar o investimento.
Neste cenário, apesar de as perspetivas de crescimento estarem ligeiramente abaixo das projeções anteriormente apresentadas pela S&P e de a conta corrente dever ficar praticamente equilibrada, o analista considera que a agência "deverá optar por aguardar, antes de proceder a uma subida do 'rating' de Portugal", mantendo o outlook positivo.
O analista de mercados da XTB João Cruz é da mesma opinião, destacando que se tem verificado por parte das agências de notação financeira um "reconhecimento consistente da consolidação orçamental de Portugal", no entanto, estas instituições "tendem a adotar uma postura conservadora e prudente".
"É prática comum aguardarem por marcos estruturais decisivos, como a apresentação da proposta do Orçamento do Estado para o próximo ano (cuja entrega na Assembleia da República ocorre até 10 de outubro), para terem a certeza de que a trajetória de redução da dívida se mantém inalterada", nota, sendo que, a par disto, "o contexto macroeconómico europeu, marcado por sinais de abrandamento noutras economias centrais, pode pesar na decisão final".
João Cruz defende assim que a expectativa central aponta para a manutenção do atual 'rating' de A+ e da respetiva perspetiva “Positiva”, "consolidando a avaliação favorável atribuída pela S&P na revisão de fevereiro".
"A existir alguma alteração nesta fase, é mais provável a concretização de uma subida da nota soberana para “AA-” do que qualquer alteração da perspetiva (outlook), dadas as métricas orçamentais sólidas do país", admite, ainda que ressalvando que a manutenção é o cenário mais prudente e provável.
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