Habitação? "Governo não tem nenhuma ligação com a realidade"
A ex-coordenadora do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, considerou esta segunda-feira que o movimento pela habitação tem "pernas para ir muito longe", notando que a crise que motiva "estes protestos vem a acumular uma série de anos" e que é tempo de "ousar, tentar outras coisas".
"Acho que este movimento tem pernas para ir muito longe, até porque a crise que motiva estes protestos vem a acumular uma série de anos e as suas consequências estão à vista ", começou por dizer, em entrevista, à CNN Portugal.
E acrescentou: "Estes protestos vão continuar a aumentar, parece-me que um efeito imediato e desejável seria que a nova lei do arrendamento proposta pelo Governo ficasse por terra" .
Para a ex-líder do Bloco do Esquerda, o movimento está já a surtir efeito. "Bastaram semanas de protestos para, aparentemente, André Ventura, que tem a espinha dorsal de um ser invertebrado, ter já mudado de opinião e ter deixado cair o seu apoio, ou pelo menos a sua posição tolerante face à lei do arrendamento do Governo", apontou.
"Acho que os protestos já estão a ganhar por isso. Esta lei não verá a luz do dia como entrou no Parlamento", destacou.
Questionada se acredita que estamos perante o início de uma contestação social mais ampla e que as reivindicações relacionadas com o direito à Habitação podem ser apenas o início, Mariana Mortágua disse acreditar que "sim".
"É um conjunto de circunstâncias sociais que se têm vindo a acumular ao longo do tempo sem que tenham tido uma expressão social condizente", referiu, salientando que "o aumento do custo de vida traduz-se em vários elementos, mas a habitação é um dos problemas principais".
Na ótica da ex-deputada, "o aumento do preço das casas é brutal, quer para quem comprar como para quem arrenda, porque afeta a vida de todas as gerações e de todas as pessoas que trabalham em Portugal".
"Nós não temos visto nenhuma medida para conter o preço das casas, pelo contrário, todas as medidas que têm sido postas em prática são medidas que, na melhor das hipóteses, são ineficazes. Na pior das hipóteses, são contraproducentes e aumentam o preço das casas", considerou.
Mariana Mortágua vai mais longe, dizendo que "reparamos agora também na resposta do Governo, e do primeiro-ministro em particular, que não tem nenhuma ligação com a sociedade, com a realidade".
"E sabemos porquê. Um Governo de grandes proprietários de imóveis, um Governo de gente que tem sociedades imobiliárias, que tem outro tipo de rendimentos, outro tipo de posição social e não faz a pequena ideia do que é viver com um salário mínimo e pagar uma renda.
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