Suspeitas de burla: empresa de espetáculos acusada de lesar atores e espectadores em milhares de euros
Uma empresa promotora de espetáculos, a LS Entertainment, é suspeita de ter lesado centenas de pessoas, entre elas atores e espectadores, em vários milhares de euros. Em causa está o cancelamento de eventos que já tinham sido promovidos e para os quais já tinham sido vendidos bilhetes.
Foram pelo menos dez os espetáculos promovidos pela LS Entertainment em Portugal que acabaram por ser alvo de reclamações junto da Inspeção-Geral das Atividades Culturais (IGAC) que confirmou ao Exclusivo, da TVI, do mesmo grupo da CNN Portugal, que está em curso um processo de contraordenação contra a empresa por incumprimento do dever de restituição do preço dos bilhetes. A entidade acrescenta que, tendo em conta o teor das reclamações recebidas, “se vislumbra a possibilidade de estarem preenchidos os requisitos do crime de burla”.
De acordo com a DECO, o incumprimento pode ser punido, no caso das pessoas coletivas, com uma coima entre 500 e 15 mil euros, valores que a Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor considera “muito diminutos”.
No Portal da Queixa estão registadas mais de 160 reclamações contra a promotora.
Simão de Freitas, responsável pela LS Entertainment, garante que “a maior parte dos clientes já foi reembolsada”, acrescentando que os restantes processos estão a ser tratados de forma gradual. Diz ainda que nunca houve intenção de lesar clientes, artistas ou parceiros e que a empresa continua empenhada em resolver as situações pendentes.
Um dos casos investigados pelo Exclusivo envolve a peça brasileira “TOC TOC – Obsessivamente Divertido”, que tinha espetáculos previstos nos Açores, Porto e Lisboa.
Sara Freitas, atriz portuguesa que integra o elenco e vive há 20 anos no Brasil, conta que ajudou a organizar a passagem da produção pelos Açores, de onde é natural, e estabeleceu contacto com Simão de Freitas.
A digressão pelo continente foi cancelada e, mesmo nos Açores, esteve prestes a seguir o mesmo caminho. Segundo a atriz, Simão de Freitas manifestou preocupação com o conflito entre o Irão e os Estados Unidos e com a proximidade da Base das Lajes aos locais onde estavam previstos os espetáculos açorianos.
Sara Freitas decidiu, ainda assim, avançar com as apresentações nos Açores, assumindo despesas com alimentação, estadia e viagens da equipa.
A atriz e Simão de Freitas assinaram um contrato segundo o qual o promotor se comprometia a pagar-lhe mais de 16.600 euros, correspondentes à receita de bilheteira dos dois espetáculos, até 2 de abril.
Sara Freitas garante que recebeu apenas 628 euros. Diz ainda ter recebido vários comprovativos de transferências cujos valores nunca chegaram à conta.
Vários atores do elenco são conhecidos do público português pelas participações em novelas da Globo, entre eles Daniel Dantas ("Sinhá Moça", "Anjo Mau" e "Cheias de Charme"), Iara Jamra ("Tieta" e "O Rei do Gado") e Ricardo Tozzi ("Cheias de Charme", "Insensato Coração" e "Amor à Vida"). Ao Exclusivo, os atores disseram ter sido também prejudicados pela situação, uma vez que não foram pagos pelas duas apresentações realizadas nos Açores.
Rosimar Silva é uma das espectadoras que diz continuar à espera do dinheiro dos bilhetes comprados.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.