Coligação da Boa Vontade reúne-se em Kyiv no Dia da Independência
A reunião terá um formato híbrido - alguns dirigentes não estarão em Kyiv, caso do ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Rangel, participando por videoconferência - e será coorganizada pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, pelo chanceler alemão, Friedrich Merz, e pelo primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, que participa pela primeira vez num encontro deste grupo.
"A Rússia não deve ter dúvidas sobre a nossa determinação", declarou Burnham, em comunicado, antes de chegar a Kyiv.
"Não cederemos até que se estabeleça uma paz justa e duradoura", afirmou o líder do Governo do Reino Unido, na primeira viagem internacional desde que assumiu o cargo, no final de julho.
O líder trabalhista "deve anunciar que o governo concordou em permitir que a empresa de defesa MBDA partilhe informações confidenciais sobre componentes britânicos do míssil de longo alcance Scalp", referiu o comunicado.
Este míssil de cruzeiro é a versão francesa do Storm Shadow britânico, ambos baseados em tecnologia franco-britânica partilhada.
Esta decisão "permitirá aos franceses e ucranianos avançar na montagem deste míssil na Ucrânia", explicou Downing Street.
Em Kyiv, ao lado do Presidente Volodymyr Zelensky, estará, entre outros representantes, o presidente do Conselho Europeu, António Costa.
Esta coligação, lançada em março de 2025 por Paris em coordenação com o Reino Unido e que Portugal integra, reúne países dispostos a fornecer garantias de segurança à Ucrânia para impedir uma nova agressão da Rússia após o fim do atual conflito.
É a terceira vez que o grupo se reúne em Kyiv desde que foi criado e este encontro acontece num momento em que Moscovo têm intensificado os ataques com mísseis balísticos e a liderança ucraniana pede ajuda para reforçar a defesa aérea, fortemente debilitada ao nível de mísseis intercetores.
No domingo, dirigentes dos oito países nórdicos e bálticos europeus estiveram em Kyiv para discutir com o Presidente ucraniano o reforço da defesa aérea face aos mísseis e artilharia russa.
"A Ucrânia precisa urgentemente de reforçar a sua defesa aérea", afirmou a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, que integra uma comitiva governamental que junta a Dinamarca, Estónia, Finlândia, Islândia, Letónia, Lituânia, Noruega e Suécia.
Para a governante, é necessário avançar com uma "coligação" para produzir "antimísseis balísticos que irá desenvolver um moderno sistema europeu de defesa antimísseis, baseado nas capacidades e na experiência tanto ucranianas como europeias".
Frederiksen antecipou que, durante a cimeira entre a Ucrânia e o chamado NB-8, todos os líderes irão abordar, em especial, a importância de "reduzir os tempos de produção" deste sistema; uma combinação de plataformas de interceção e de técnicas de combate aos drones.
A reunião aconteceu após várias semanas de recrudescimento dos bombardeamentos por parte da Rússia.
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