Nadim Habib: “Sabemos mudar o suficiente para não ter de mudar nada”
Portugal tem um talento especial para mudar sem que nada mude verdadeiramente.
É, pelo menos, a convicção de Nadim Habib, professor da Nova SBE, que considera que o país precisa de trocar as pequenas medidas de circunstância por uma estratégia de longo prazo.
Caso contrário, arrisca-se a continuar a trabalhar mais, a gastar mais e a complicar mais, sem conseguir sair do mesmo lugar.
“Nós sabemos mudar o suficiente para não ter de mudar nada”, resume.
A reflexão surgiu na conferência promovida pelo Jornal Económico e pela EY, dedicada ao Orçamento do Estado, mas podia aplicar-se a praticamente todos os setores da economia portuguesa.
Para o economista, o problema começa precisamente na forma como o país discute as contas públicas: em vez de definir primeiro onde quer chegar, procura no orçamento pistas sobre a estratégia que deveria ter sido estabelecida antes.
“Eu gostava que um dia vocês organizassem um debate sobre a estratégia do Estado.
Para depois vermos se o orçamento reflete ou não esta estratégia”, defendeu.
É que discutir se se deve baixar o IVA da gasolina pode ser importante, mas não substitui a pergunta essencial: que economia queremos construir e como vamos lá chegar? O risco, avisou, é passar os anos a minimizar danos, em vez de preparar o futuro.
Portugal, como boa parte da Europa, parece ter-se habituado a fazer pequenas alterações para evitar as grandes transformações.
O resultado é um sistema cada vez mais complexo, que exige mais investimento, mais trabalho e mais energia apenas para continuar a funcionar como antes.
“Para mudar, para melhorar, é preciso simplificar”, afirmou.
Mas simplificar exige, antes de mais, saber o que se quer mudar.
Construir mais casas, atribuir subsídios ou alterar impostos são medidas que podem responder a problemas imediatos.
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