Sapadores florestais: Do apego à função ao desejo de uma carreira
A reportagem da agência Lusa acompanhou o trabalho das duas equipas de sapadores florestais do município da Figueira da Foz, um dos 12 concelhos a nível nacional que dispõe de duas equipas geridas por câmaras municipais - os restantes 50 com este serviço possuem apenas uma -, dados do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), datados de 15 de julho de 2025.
Sandro Nogueira, 42 anos, líder de uma das equipas, leva 26 anos no setor florestal, onde começou a trabalhar aos 16 anos: em resultado dessa experiência acumulada, operacionaliza os meios no terreno e trata a maquinaria pesada 'por tu' – dois equipamentos, propriedade do Serviço Municipal de Proteção Civil, fazem a diferença, complementando o fornecido pelo ICNF, duas carrinhas todo-o-terreno equipadas com um tanque de água cada uma e material sapador.
Num terreno próximo ao mosteiro de Seiça, monumento nacional localizado num vale no sul daquele concelho litoral do distrito de Coimbra, o dia quente de setembro foi dedicado à limpeza de uma parcela de eucaliptos nas imediações e à reabilitação de uma linha de água.
Esta corre em zona adjacente à linha ferroviária do Oeste, bordeada por um canavial com espécies de vários metros de altura - planta invasora que tem como característica ser altamente inflamável – e que acabou dizimado por ação do braço de uma máquina rotativa.
"Tenho dos melhores trabalhos do mundo, se calhar é um trabalho que muita gente gostava de ter e não pode", exclamou Sandro Nogueira, olhando para parte da área florestal que tinha acabado de limpar, e aquilo que diariamente faz, ao ar livre, aos comandos de um 'bobcat', a máquina de lagartas, muito manobrável e potente, única maneira de remover acácias, troncos de árvores e outro material lenhoso, que um sapador apeado, por si só, não consegue.
O trabalho, se é duro, também é complexo, assegurou Sandro Nogueira: "Os terrenos são sempre uma carta fechada, nós vemos o mato, mas nunca sabemos o que está lá por baixo. Temos linhas de água, temos buracos, temos afloramentos rochosos, mas também não é um trabalho que se faz sozinho, não é a máquina que faz sozinha.
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