O tempo, o adversário que nem Cristiano Ronaldo conseguiu vencer
Foi o maior guerreiro da Guerra de Troia, quase invencível. Mas a sua superioridade dependia também da juventude, não apenas da força, da coragem ou da proteção dos deuses.
Segundo a mitologia, a mãe mergulhara-o nas águas do rio Estige para o tornar invulnerável, mas, ao segurá-lo pelo calcanhar, deixou uma pequena parte do corpo desprotegida.
Aquiles também conheceu os perigos do orgulho. Humilhado por Agamémnon, o comandante dos gregos, que lhe retirara Briseida, a sua cativa, abandonou o combate.
A sua ausência teve consequências devastadoras para os gregos. Só regressou para vingar a morte de Pátroclo, conquistando a glória que o tornaria imortal.
Segundo a tradição, uma flecha de Páris atingiu-o no calcanhar, pondo fim à vida do maior dos guerreiros.
Cristiano Ronaldo fez uma escolha diferente: quis a glória de Aquiles, mas recusou a brevidade da sua existência.
Durante mais de duas décadas, desafiou adversários, recordes e os limites do corpo humano.
Prolongou a juventude desportiva até aos limites do sobre-humano, mantendo uma capacidade competitiva que parecia incompatível com a passagem dos anos.
Mas até o extraordinário tem limites. O tempo acabou por chegar, muito mais tarde do que qualquer um poderia razoavelmente esperar.
A história do desporto está cheia de heróis que tiveram de enfrentar esta escolha.
Eusébio terminou a carreira longe dos grandes palcos, depois de passar pelo Beira-Mar e pelo União de Tomar.
Muhammad Ali recusou abandonar os ringues quando já não era o mesmo. A sua grandeza permaneceu intacta, mas nos últimos combates já não era o campeão que o mundo admirara.
Michael Jordan teve a despedida perfeita em 1998. Conquistou o sexto título da NBA , marcando o lançamento decisivo. Mas não resistiu à tentação de regressar aos 38 anos, pelos Washington Wizards , onde continuou a ser um excelente jogador, mas em duas épocas não conseguiu sequer atingir os playoff .
Michael Schumacher também teve a oportunidade de abandonar no topo. Despediu-se da Ferrari em 2006, com sete títulos mundiais e ainda capaz de lutar pelo campeonato.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.abola.pt — o conteúdo pertence a A Bola.