A relação de Montenegro com a realidade
Do discurso do primeiro-ministro na festa de verão que o PSD costuma fazer no Pontal sobressaem quatro tipos de diferente relação com a realidade.
Um de ausência da realidade, outro de negação da realidade, um terceiro de ocultação da realidade e um último de realidade alternativa.
O primeiro-ministro falou de “governar para as pessoas” num discurso em que está completamente ausente a realidade diária que vivem milhões de pessoas.
Não há, naquele discurso, perspectiva de solução para as dificuldades de quem procura uma creche para o bebé e não tem vaga, de quem espera e desespera por cuidados de saúde ou encontra urgências fechadas, de quem faz contas e percebe que o salário não comporta os aumentos de preços que tornam tudo mais caro, para engordar os lucros das grandes empresas.
Falou ainda dos resultados supostamente positivos das suas políticas, negando a realidade.
As dificuldades já referidas confirmam essa negação da realidade.
A elas podem acrescentar-se as dificuldades acrescidas no acesso à habitação ou, ainda, o agravamento das desigualdades em consequência do alívio de impostos para as grandes empresas e quem tem rendimentos mais elevados, em contraste com o aumento do custo de vida para a esmagadora maioria da população e a redução da proteção social de pessoas em situação de pobreza, ou exclusão social, ou com deficiência.
Há ainda, naquele discurso de Luís Montenegro, uma fortíssima tentativa de ocultar a realidade, sobretudo quanto a quem beneficia e quem é prejudicado pelas políticas do Governo.
Anunciou a recuperação pelo Estado de uma participação accionista minoritária na REN - Rede Elétrica Nacional, ocultando os prejuízos causados ao país pela privatização feita em 2014 e que ele próprio apoiou.
Ao mesmo tempo, mantém a intenção de privatização nos transportes, em particular na TAP e na ferrovia, ocultando os prejuízos que daí resultarão para os trabalhadores, os utentes e o país.
Tenta dourar o passado do PSD a propósito dos Governos PSD de Cavaco Silva, ocultando que nesses anos encontramos uma grande parte das decisões que conduziram Portugal à situação de dependência externa em que hoje se encontra.
A verdade é que o Governo tem uma agenda política que é para uns, mas não é para outros.
Ela não corresponde aos interesses do povo, nem do país, mas é partilhada pelos grandes grupos económicos e financeiros, e pela União Europeia.
Umas vezes o Governo cumpre essa agenda com o apoio do PS, outras vezes com o do Chega e da Iniciativa Liberal.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.