Lula afirma que petróleo é "passaporte para o futuro"
O Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, qualificou o petróleo recentemente descoberto ao largo da Amazónia como um “passaporte para o futuro”, com organizações ambientalistas a contestar a exploração petrolífera na região.
A empresa tinha iniciado o furo em outubro, após um processo para obter licença ambiental que durou cinco anos.
“O petróleo descoberto é um passaporte para o futuro deste país e, ao dizê-lo, não renego a minha luta para que um dia não precisemos mais de combustíveis fósseis”, afirmou Lula, na segunda-feira, numa base de operações da Petrobras.
O chefe de Estado considerou que a exploração de novas reservas reforçará a “soberania nacional” brasileira.
“Vou guardá-lo numa caixa, (…) cheira tão bem”, disse o dirigente de esquerda, exibindo uma amostra de crude, após visitar o navio que detetou petróleo em alto-mar na semana passada.
Segundo a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, serão ainda necessários 15 a 20 dias de perfuração para medir a dimensão da descoberta.
Estudos adicionais deverão determinar se pode ser considerada “comercial”, embora haja razões para estar “extremamente otimista”, acrescentou.
Contudo, organizações ambientalistas alertaram para os riscos, numa zona rica em biodiversidade, situada junto à maior floresta tropical do mundo.
A descoberta “não resolve os problemas identificados no processo de licenciamento ambiental”, disse à agência de notícias France-Presse Suely Araújo, coordenadora do Observatório do Clima, uma rede de entidades ambientalistas da sociedade civil brasileira.
De acordo com a especialista, as comunidades indígenas da região não foram consultadas antes da autorização dos furos e houve erros de cálculo sobre as consequências de uma eventual maré negra.
Lula, de 80 anos, disputará em outubro um quarto mandato não consecutivo.
O antigo sindicalista defende o abandono progressivo dos combustíveis fósseis para travar as alterações climáticas, mas considera que o país, nono produtor mundial de petróleo em 2025, não pode, por agora, prescindir dessa receita.
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