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Falta de professores: o conto do vigário

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Falta de professores: o conto do vigário

A irracionalidade é uma praga mental destruidora de povos, sociedades, economias ou civilizações quando os seus agentes investem com sucesso em alvos estratégicos para o destino coletivo. Três exemplos. Primeiro: «Os imigrantes garantem a sustentabilidade da segurança social», frase-chave que semeou uma sensibilidade social incapaz de contrariar, desde o início, a imigração desregulada, ilegal, excessiva, estruturalmente nociva. Segundo: «A democracia está em crise», frase-chave que afastou, desde o início, a sensibilidade social do reforço saudável da pluralidade democrática num ciclo histórico no qual governar deixou de significar resolver problemas para se subverter na sua criação e multiplicação. Terceiro: «Faltam professores nas escolas», frase-chave que se projeta como estratégica para a próxima década, praga mental tão nefasta quanto as anteriores, mas a que mais escapa ao escrutínio da razão crítica.

Nos anos recentes, não será necessário grande esforço aos cidadãos comuns para constatarem, com regularidade, a teia mental que os envolve com recados como: « Portugal pode precisar de quase 39 mil novos professores até 2035 : FNE traça mapa da falta de docentes» (notícia de 14-09-2026). Sem ser exaustivo, sugiro que a consciência de cada cidadão se confronte a si mesma com quatro argumentos sobre a alegada falta de professores.

O trabalho intelectual é mentalmente exigente. Por assim ser, os professores-adultos do ensino básico e secundário passam, no máximo, 22 horas letivas por semana fechados em salas de aula. No final da carreira, esse tempo é reduzido a 14 horas. Porém, quando o foco transita para crianças-alunos e adolescentes-alunos, cujo estádio de resistência e maturidade intelectual é bem mais frágil, o referido princípio protetor da condição humana evapora-se. Os alunos são coagidos a passar tempos diários e semanais bem superiores aos dos adultos fechados em salas de aula, podendo atingir 8 horas diárias e mais de 30 horas semanais. Entretanto, a cada nova geração escolarizada não tem parado de se sedimentar a desregulação de atitudes e comportamentos (irresponsabilidade, desmotivação, indisciplina ou violência), associada à perda progressiva de capacidades cognitivas e de relacionamento humano. Num momento em que esses fenómenos são parte integrante do descontrolo social da crise de saúde mental, há quem insista em instigar a necessidade de acelerar a formação de professores em quantidade por teimar na ignorância da fonte do mal: horários e currículos escolares dos alunos sobredimensionados.

Entre os séculos XVIII e XIX, na fase inicial do processo de industrialização com a consequente massificação do trabalho fabril, caracterizado à época pela transição da vida rural doméstica de subsistência para a vida fabril assalariada, poder-se-ia trabalhar até 16 ou mais horas por dia, correspondentes a quase uma centena de horas nos então 6 dias úteis da semana. A imoralidade e consequências da imposição acabariam por espoletar uma das grandes vitórias do humanismo ocidental: a limitação legal cartesiana de um máximo de carga laboral semanal, hoje balizado entre as 35 e as 40 horas.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.

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