Miguel Stilwell: “Se queremos ser independentes, temos de construir data centers na Europa”
O presidente executivo da EDP alertou esta quarta-feira que a Europa está “muito atrás” dos EUA e da China na corrida à infraestrutura para inteligência artificial (IA) , afirmando que “apenas 5% dos centros de dados” a nível mundial estão nesta região.
Para o gestor, “a discussão não pode ser se precisamos ou não precisamos de data centers “, disse.
“Todos os nossos dados estão fora da Europa.
Se queremos ser independentes, temos de construir data centers “ , afirmou o líder da elétrica, numa altura em que cresce o setor enfrenta contestação em algumas geografias, incluindo até nos EUA.
“Data centers não aumentam custos da energia ao consumidor” Ler Mais O gestor falava na AI Summit, um evento organizado pela EDP, que decorreu esta terça e quarta-feira, na sede da empresa.
Segundo Miguel Stilwell, a EDP está no centro desta tendência: “Em termos de infraestrutura, não há IA sem centros de dados e não há centros de dados sem eletricidade.
E nós somos uma empresa de eletricidade.” Para a EDP, este é um dos grandes filões de crescimento neste momento, tendo contribuído para a empresa passar de cerca de 800 milhões de euros de lucro anual em 2024 para mais de mil milhões no ano passado, com previsão de 1,4 mil milhões este ano .
O CEO explicou que o desafio é “como continuar a crescer”, reconhecendo que o principal receio dos investidores é a estagnação da EDP.
Afirmando que Portugal e Espanha são particularmente competitivos para albergar infraestrutura de IA, Miguel Stilwell indicou que se os “governos, reguladores e políticos o permitirem, poderemos ter muito investimento aqui, criar valor, aumentar a prosperidade do país e ter IA disponível na Europa”.
“Para isso, precisamos de mais geração [de eletricidade].
Para este consumo precisamos de mais oferta.
Essa é a nossa função.
Se houver mais procura, construiremos mais projetos”, disse Miguel Stilwell, acrescentando esperar que seja “uma oportunidade não apenas para as empresas de IA, mas também para a EDP, para criar valor para a empresa”.
O CEO assumiu também “a preocupação” de garantir a sustentabilidade desta corrida à IA, defendendo a aplicação de critérios como a reduzida utilização de água para arrefecimento, o pagamento de impostos no país e a criação de emprego.
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