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Noruega desliga a Inteligência Artificial às crianças

Observador ·
Noruega desliga a Inteligência Artificial às crianças

Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Começa agora mais um "Porque sim não é resposta" com o psicólogo Eduardo Sá. Eu sou a Judite França e hoje vamos falar de Noruega, onde os alunos até aos 13 anos estão proibidos de usar ferramentas de inteligência artificial nas escolas. Olá, Eduardo. O governo norueguês fala em delegação cognitiva. A criança entrega à máquina uma tarefa antes de aprender a fazê-la sozinha. Concorda com este diagnóstico?

Olá, Judite. Concordo. Sabe por que eu concordo? Porque eu vou conversando com muitos adolescentes que às vezes, às 19h, me dizem com uma tranquilidade desconcertante, que têm ainda que fazer dois trabalhos para apresentar no dia a seguir e, portanto, trata-se de elaborar os trabalhos e de fazer as apresentações. E quando eu fico um bocadinho atônito e quase aflito e digo: "Mas o dia a seguir é já amanhã, como é que vamos fazer isso?" Eles com uma tranquilidade fora do lugar, dizem: "Por favor, na verdade, não sou eu que faço, é o ChatGPT por mim". Ou outro dia, convidaram-me para fazer um podcast e quem fez a seleção de conteúdos para o podcast eram umas jovens, um podcast de uma marca poderosa em Portugal. Eram umas jovens que fizeram uma recolha sobre adolescência e depois quando a pivô do podcast me estava a pôr um conjunto de questões, eu dizia: "Olhe, mas é capaz de não ser bem assim, não é?" E ao fim do meu terceiro: "Olhe, é capaz de não ser bem assim", interromperam o podcast e lá vieram essas jovens a dizer: "Não, desculpe, está enganado, porque nós estivemos a ver no podcast". E, portanto, aquilo com que eu me confronto no dia a dia da universidade é muito inquietante, Judite, porque neste momento, fazer avaliações por trabalho, eu acho que é mentira, porque eles apresentam os trabalhos, mas a percentagem dos estudantes que vão à procura dos conteúdos, pensam os conteúdos, tentam de alguma forma aprendê-los, é mínima. Todos os professores confirmam isto. A mim preocupa-me imenso a um outro nível, que não o ensino básico, e os primeiros anos do ensino básico. A mim preocupa-me imenso que nós estejamos a criar a ideia de que eles vão fazendo os trabalhos, vão fazendo, vão tirando as notas respectivas e, portanto, os pais ficam contentíssimos, porque até tiram boas notas se for preciso. E depois, a aprovação, os conteúdos que eles aprenderam não correspondem nem de perto àquilo que eles sabem. Se nós formos contribuindo para isto desde o primeiro ciclo, nós estamos a criar um Deus nos acuda. O governo norueguês diz assim: "Ei, atenção, eles precisam de aprender a escrever, a calcular e a construir raciocínios, a ler, a fazer um texto de forma manuscrita", porque aquilo que eles foram dando conta é que os alunos iam ficando impacientes, iam sendo incapazes de ir à procura dos conteúdos e, sobretudo, incapazes de os pensar. Ou seja, nós estamos a trocar a inteligência humana pela inteligência artificial. E ao trocarmos isto nos primeiros anos do ensino básico, Judite, nós estamos a aceitar que crianças inteligentes fiquem cada vez mais limitadas e, portanto, estamos a usar muitas vezes a inteligência artificial.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.

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