“Moderaditos”
É normal que olhemos para a estupidez como um produto da inércia.
Que o desinteresse se une à preguiça para gerar pobreza de raciocínio é algo fácil de intuir.
É um consenso pacífico.
Mas por muito sedutora que seja a associação entre estupidez e vacuidade, a verdade é que a estupidez tem muito que se lhe diga.
Numa divertidíssima defesa da estupidez publicada em 1991, Vítor J.
Rodrigues defende que a exuberância dos “fenómenos estupidológicos”, a sua extrema-variedade, a riqueza das suas realizações e a elegância dos seus refinamentos justificam que sejam definidos pela positiva.
Numa época em que quem não quer conhecimento está obrigado a fugir dele, a estupidez é um privilégio ganho com o duro esforço da luta constante contra a informação e a vitalidade mental.
Rodrigues propõe uma definição canónica: estupidez é resistência activa à inteligência.
Lembrei-me desta abordagem contraintuitiva à estupidez a propósito de outro livro, um magnífico ensaio acabado de publicar pela Zigurate, cujo o argumento também destrói convenções e intuições: Moderaditos , de Diego Garrocho.
Nestas páginas, a moderação não é equilíbrio, nem compromisso, nem capacidade de diálogo.
Não é cordialidade, embora seja importante.
E não é, certamente, um ponto médio entre duas ou mais posições em confronto.
É coragem.
A este propósito, Garrocho tem o enorme mérito de resgatar obviedades silenciadas pelo ruído político e mediático.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.