Vaticano expressa "preocupações" com aplicação de acordo Israel-Líbano
N o final do primeiro compromisso de Aoun durante uma deslocação de dois dias a Itália, o Vaticano indicou que "as conversações cordiais", entre o Presidente libanês e o Papa e posteriormente pelo chefe da diplomacia, Pietro Parolin, "centraram-se essencialmente no acordo-quadro trilateral, assinado pelos Estados Unidos, Israel e Líbano, destinado a estabilizar as fronteiras meridionais da República do Líbano e a alcançar uma paz justa e duradoura".
"A Santa Sé, embora se congratule com a assinatura do documento, expressou sérias preocupações quanto às dificuldades que se estão a verificar na sua implementação e assegurou o seu apoio aos esforços nesse sentido", de acordo com um comunicado do Vaticano, um parceiro histórico do Líbano, desempenhando um papel ativo tanto no terreno, através da nunciatura, como em fóruns diplomáticos.
Por seu lado, Joseph Aoun pediu a Leão XIV que intensifique os esforços diplomáticos para pôr fim aos ataques do exército israelita e obter a retirada do sul do país, referiu em comunicado a Presidência libanesa.
Trata-se de garantir "que Israel respeite os termos" do acordo-quadro, "pondo fim aos ataques diários, em particular aqueles que têm como alvo civis, infraestruturas e aldeias do sul do Líbano", indicou na mesma nota.
Aoun apelou igualmente ao Vaticano para que "apoie os esforços do Líbano no sentido de obter uma retirada israelita total dos territórios libaneses ocupados" e o regresso dos milhares de deslocados.
Nos termos de um acordo-quadro celebrado a 26 de junho, no final de cinco ciclos de negociações em Washington, Israel deve retirar-se progressivamente dos setores do sul do Líbano que ocupou no âmbito da guerra com o movimento xiita Hezbollah, apoiado pelo Irão.
O acordo-quadro foi celebrado após a entrada em vigor de um frágil cessar-fogo na nova guerra iniciada entre o Hezbollah e o exército israelita, depois de o movimento xiita ter, a 02 de março, bombardeado Israel em apoio ao Irão.
No entanto, o exército israelita continua a realizar ataques no sul do Líbano, onde estabeleceu o que designa como uma "zona de segurança", numa faixa de cerca de 10 quilómetros de largura ao longo da fronteira, e a destruir as aldeias que ocupa, de acordo com os meios de comunicação oficiais libaneses.
Durante a visita a Itália, Aoun deverá também reunir-se, na sexta-feira, com a primeira-ministra, Giorgia Meloni, para discutir o futuro da força de manutenção da paz da ONU (Finul) no país, cujo mandato expira no final do corrente ano.
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