Dez saídas em oito jornadas. Treinadores alertam para instabilidade no futebol português
A Associação Nacional de Treinadores de Futebol (ANTF) manifestou preocupação com a sucessão de mudanças nas equipas técnicas dos clubes portugueses, alertando que, ao fim de oito jornadas, já se registaram dez saídas nos dois principais campeonatos nacionais.
Num comunicado divulgado na quarta-feira, 21 de outubro, a estrutura considera que estes números representam "um sinal de instabilidade que merece uma reflexão séria por parte de todos os agentes do futebol português" .
Sem questionar a autonomia dos clubes para escolherem os seus treinadores, a associação contesta a tendência para responder aos resultados negativos com a substituição de quem lidera a equipa técnica.
Na sua perspetiva, essa decisão não deve constituir uma reação automática às dificuldades competitivas, sobretudo quando os projetos ainda estão numa fase inicial.
"A mudança de treinador não pode continuar a ser encarada como a resposta imediata aos resultados menos positivos", defende a ANTF, sublinhando que a construção de equipas competitivas depende de condições que exigem continuidade.
Tempo, planeamento e confiança são, segundo a associação, indispensáveis para consolidar métodos de trabalho e desenvolver projetos desportivos sustentados.
O comunicado centra-se também nos critérios utilizados para avaliar o desempenho dos técnicos.
Embora reconheça que a exigência faz parte do futebol profissional, a ANTF considera insuficiente uma análise limitada aos resultados mais recentes, sem atender às circunstâncias em que o trabalho é realizado.
Os recursos disponíveis, o contexto de cada equipa e as decisões estratégicas das direções devem integrar essa avaliação , sustenta a associação.
O apelo aponta para uma distribuição mais abrangente das responsabilidades, em vez de concentrar no treinador todas as consequências dos períodos negativos.
"A responsabilidade deve ser analisada de forma global, evitando que o treinador seja, sistematicamente, o primeiro e único alvo perante as dificuldades", afirma a estrutura representativa dos técnicos.
A ANTF esclarece, contudo, que a defesa da estabilidade não equivale a exigir a manutenção de um treinador em quaisquer circunstâncias.
O que reclama é uma gestão capaz de distinguir a necessidade de mudar de uma decisão precipitada, garantindo que os profissionais dispõem de condições para demonstrar o valor do seu trabalho.
"Estabilidade não significa permanência a qualquer custo; significa decisões ponderadas, projetos coerentes e condições para que o trabalho desenvolvido possa ser devidamente avaliado", lê-se no documento.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.