Ventura diz que foram roubados ao Chega documentos que levantam "suspeitas severas" sobre o negócio da REN
O presidente do Chega voltou a falar do alegado assalto ao gabinete do partido no Parlamento, mas para desta vez introduzir um tema que ainda não era do conhecimento público.
André Ventura já tinha mencionado que tinham sido levados documentos relacionados com o primeiro-ministro, o ministro da Administração Interna ou a gestão do SIRESP, mas agora colocou em cima da mesa alegados problemas com o negócio que vai fazer regressar o Estado à REN.
Em entrevista na CNN Portugal, e já na parte em que era confrontado pelos comentadores, André Ventura referiu que o partido recebeu “uma informação que levanta suspeitas severas sobre o negócio”.
O presidente do Chega sugeriu mesmo que esse negócio “acabou por beneficiar algumas pessoas, algumas delas, direta ou indiretamente, ligadas ao Governo”.
Para André Ventura, a partir do momento em que estas informações chegaram ao partido - e não foi revelado de onde surgiram -, “acabou o silêncio”, pelo que a corrupção tem de ser enfrentada “cara a cara”.
André Ventura não foi mais longe sobre este caso em concreto, dizendo apenas que o Chega não tem medo.
As palavras do presidente do Chega surgem num dia em que o Governo voltou a emitir um comunicado relativo à entrada de capital público na REN, garantindo que o preço a pagar pelos 13,7% iniciais, que é de 389,8 milhões de euros, acabou por ser 20% inferior ao pedido inicialmente.
O Governo incumbiu a Parpública de adquirir até 20% do capital da REN, sendo a compra pelo Estado de 13,7% à Pontegadea a "primeira fase" da operação, segundo o processo consultado pela Lusa.
Num despacho conjunto dos ministérios das Finanças e do Ambiente e Energia, com data de 06 de julho e que integra o processo de fiscalização prévia da operação remetido ao Tribunal de Contas, o Governo determina que a Parpública proceda à "aquisição de participações sociais" na REN - Redes Energéticas Nacionais "correspondentes a até 20% do respetivo capital social".
O negócio com a Pontegadea, sociedade de investimento de Amancio Ortega, fundador da Inditex, foi concluído este mês, depois de o Tribunal de Contas ter dado visto à operação em 31 de agosto.
Segundo a documentação do processo, o Estado pagou 389,8 milhões de euros pelas 91.723.676 ações, correspondentes a 13,7% do capital da REN, a um preço de 4,25 euros por ação. O despacho de autorização da despesa fixava um máximo de 4,28 euros por ação, correspondente a uma despesa de até 392,58 milhões de euros.
Com esta aquisição, o Estado português tornou-se o segundo maior acionista da REN, atrás da State Grid Corporation of China, que detém 25%. Entre os restantes acionistas com participações relevantes encontram-se a Fidelidade, com 5,3%, e as espanholas Corporación Masaveu e Redeia, ambas com cerca de 5%.
“O novo contexto nacional e internacional veio acentuar a relevância das infraestruturas críticas e de autonomia estratégica dos Estados, atribuindo particular centralidade às redes de transporte de eletricidade e gás”, referiu a tutela, apontando que, na UE “apenas Portugal não tinha o Estado como acionista da empresa que gere a Rede Elétrica Nacional”.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.