Desaparecimento de pescadores gera suspeitas de insurgência em Quissanga
"E les saíram no domingo para a pesca e normalmente voltam de madrugada, mas desta vez não mais voltaram", relatou à Lusa uma fonte a partir de Quissanga.
Os pescadores partiram por volta das 21:00 (20:00 em Lisboa) de domingo, em direção ao distrito vizinho Metuge, e desde então não regressaram, detalhou.
Face ao desaparecimento, as comunidades manifestam receios de que os homens tenham sido capturados por grupos terroristas que protagonizam ataques em Cabo Delgado, província rica em gás natural e afetada por uma insurgência armada desde 2017.
"Há duas semanas passaram terroristas em algumas zonas e, sinceramente, não sei se não caíram nas mãos deles", disse a mesma fonte.
Outra fonte local avançou que três dos quatro pescadores desaparecidos pertencem à comunidade de Namaluco, localizada a cerca de 30 quilómetros da Estrada Nacional 380 (EN380), no interior de Quissanga, distrito de Cabo Delgado um dos afetados pela insurgência armada.
O primeiro ataque armado em Cabo Delgado foi registado em 05 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.
Os incidentes de segurança no norte de Moçambique, essencialmente envolvendo ataques de insurgentes em Cabo Delgado, aumentaram em junho para 73 casos, com 10 mortos e 72 raptos, segundo um relatório das Nações Unidas divulgado no final de julho.
O mais recente relatório da Organização das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) aponta o aumento dos incidentes em junho, acima dos 71 contabilizados em maio, no norte de Moçambique, destacando que "a violência contra civis" continuou a ser o tipo predominante de incidente, afetando sobretudo os distritos "com necessidades mais severas, comprometendo a proteção dos civis, restringindo o acesso humanitário e provocando movimentos populacionais".
De acordo com o documento, 44 incidentes (59%) envolveram violência, "resultando em 10 mortes de civis e no rapto de 72 pessoas alegadamente para recrutamento forçado, trabalho forçado e pedidos de resgate".
A OCHA acrescenta que estes incidentes incluíram "ataques a aldeias, saque de bens civis e humanitários, destruição de propriedade civil, ameaças e extorsão".
Segundo dados divulgados anteriormente pela Armed Conflict Location & Event Data Project (ACLED), foram registados 2.408 eventos violentos desde o início da insurgência, dos quais 2.224 envolvendo elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM), e mais de 6.600 mortos.
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